Os momentos mais emocionantes chegaram ao som do tema Chão Nosso, dos Trovante (1977), em duas versões de Cante Alentejano. Uma banda que nasceu da vontade de dar voz a causas que nos unem enquanto povo: a liberdade, o respeito, a igualdade, a justiça... Inspirados na força simbólica de uma tribo, guardiões da terra, da cultura e da resistência.
Índios da Meia Praia é um projeto musical alentejano nascido em Cuba, no Baixo Alentejo, inspirado na canção homónima de José Afonso e no espírito da Revolução de Abril. Formado por músicos com percursos distintos, o grupo cruza o Cante Alentejano, a música tradicional portuguesa e influências do pop, jazz e blues, apresentando um espetáculo que homenageia a música portuguesa de intervenção e os valores da liberdade, da solidariedade e da democracia. O repertório integra temas marcantes de José Afonso, Sérgio Godinho, Trovante, Paulo de Carvalho, Jorge Palma e outros autores que marcaram a história da música portuguesa contemporânea, interpretados com arranjos próprios e uma abordagem que alia respeito pelas versões originais a uma identidade musical própria.
Ao longo da sua atividade, os Índios da Meia Praia têm participado em festivais, comemorações do 25 de Abril, eventos culturais e festas populares, sobretudo no Alentejo, afirmando-se como um projeto de divulgação da canção portuguesa e da memória coletiva associada à liberdade. Sobre o nome O nome Índios da Meia Praia presta homenagem à célebre canção de José Afonso, composta para o documentário Continuar a Viver – Os Índios da Meia-Praia (1976), que retrata a comunidade piscatória da Meia Praia, em Lagos, e a experiência do SAAL após o 25 de Abril.
Jorge Matos Dias




