O II Encontro de Teatro Comunitário voltou a animar o Calçadão de Quarteira, de 25 a 27 de setembro, com três dias de programação gratuita.

Uma iniciativa do JAT – Janela Aberta Teatro, com o apoio da Junta de Freguesia de Quarteira, da Câmara Municipal de Loulé e da DGARTES, e parcerias do Hotel Dom José e do Cineclube de Faro.

O segundo dia contou com as peças "Somos Todos S. João", do Grupo de Teatro de Rio Maior / Beleza Teatro, e "A Céu Aberto", do Grupo de Teatro Comunitário do Campo (Gerês). A meio da tarde, decorreu a conversa aberta "O impacto do teatro comunitário no Acesso à Cultura", moderada por Dália Paulo (Município de Loulé), com Maria Vlachou (Acesso Cultura), Miguel Martins Pessoa e Diana Bernedo (JAT) e Rui Germano (Beleza Teatro).

Dália Paulo agradeceu ao JAT e sublinhou que o teatro comunitário é uma forma de devolver à comunidade o direito constitucional de acesso à cultura para todos. Miguel Martins Pessoa destacou a continuidade no tempo como uma das grandes aprendizagens da América do Sul: o impacto do teatro comunitário não é imediato. A ponta do iceberg são os espetáculos, mas é no ensaio que se constrói a grande família que transforma.

Maria Vlachou partiu do livro "A Política sem os Políticos" e do exemplo de Atenas do século V a.C., onde a democracia e o teatro nasceram juntos, para defender que o teatro comunitário é o teatro dos amadores, onde as pessoas decidem em conjunto o que apresentar, sem peritos a decidir por elas. Rui Germano afirmou que o teatro comunitário é o "teatro da verdade", feito por atuantes que são porta-vozes de causas, e não por atores que vestem personagens. Para ele, é a melhor ferramenta para tornar um país mais participado e democrático. Miguel Martins Pessoa fechou a conversa ligando o teatro comunitário ao coro grego e à força transformadora de dar visibilidade poética a problemas reais, como o lixo na praia ou a falta de casas.

 

Jorge Matos Dias