Quase metade dos portugueses já perdeu dinheiro a investir. Se se enquadra nesta situação, conheça a regra de 1%, a matemática das sete perdas seguidas e como investir em CFD com gestão de risco real, antes de incorrer novamente em potenciais erros.

Cerca de metade dos portugueses que investem já perdeu dinheiro; o dado é recente, proveniente do «2.º Barómetro Doutor Finanças», divulgado em setembro de 2025.

Ninguém perde dinheiro, contudo, sem primeiro ter decidido arriscá-lo; a pergunta que quase nunca se faz é quantas dessas decisões foram tomadas sem se compreender, de facto, o que estava em jogo, sem saber como investir em CFD ou conhecer os riscos inerentes.

Este artigo não pretende apresentar uma nova estatística, até porque não existe; é uma questão retórica, não um dado. O que este artigo procura, isso sim, é mostrar a matemática que normalmente falta antes da decisão, traduzível nestas três questões:

  • Quanto custa, em euros, arriscar 1% do capital por operação?
  • O que significam sete perdas seguidas?
  • Por que motivo, sem essa informação, é fácil deixar de decidir e permitir que a corretora passe a decidir por nós?

O número que explica a poupança portuguesa melhor do que qualquer teoria

O «2.º Barómetro Doutor Finanças», realizado pelo Centro de Estudos Aplicados (CEA) da Universidade Católica Portuguesa entre 31 de julho e 28 de agosto de 2025, entrevistou 701 portugueses maiores de idade (margem de erro de 4%, com um nível de confiança de 95%) e traçou um retrato que ajuda a perceber por que razão o “erro” de perder dinheiro pesa tanto na forma como o país poupa:

  • 61% dos portugueses não investem (37% por falta de poupanças, 27% por preferência deliberada por poupar sem investir);
  • 49% descrevem-se como investidores conservadores, 41% como moderados e apenas 6% assumem um perfil agressivo;
  • 48% só detêm produtos de capital garantido;
  • 71% dizem conhecer o conceito de «diversificação», mas só 40% o aplicam de facto;
  • 47% dos que investem aplicam, no máximo, 10% do seu rendimento.

Sérgio Cardoso, Chief Education Officer do Doutor Finanças, resume o padrão numa frase: “o português é o investidor que entra para não perder, não entra para ganhar”. E acrescenta uma explicação histórica: “Portugal é um país marcado por crises económicas recorrentes, instabilidade e uma tradição de valorização da poupança como proteção”.

Não é nada de irracional; é, sobretudo, uma resposta compreensível a um facto simples: como nota Cardoso, “quem investe sem saber e perde dinheiro não volta a investir”. O problema não é o medo em si, porque o medo, sem informação para substituí-lo, não desaparece: apenas muda de forma.

A retirada para o capital garantido resolve o medo, mas não o problema

O reflexo defensivo tem números concretos. Segundo dados do Banco de Portugal (BdP), citados a propósito de um estudo da XTB com a TGM Research Institute (outubro de 2025, amostra de 1000 portugueses), os depósitos das famílias portuguesas atingiram um máximo histórico de cerca de 196,8 mil milhões de euros, ainda que a remuneração média dos novos depósitos a prazo tenha caído para 1,34%, o valor mais baixo desde abril de 2023.

Os Certificados de Aforro somam 38,5 mil milhões de euros, o máximo desde 1998. No mesmo estudo, 32% dos portugueses consideram que os depósitos bancários são a melhor forma de aplicar dinheiro, 24% preferem certificados de aforro e apenas 18% escolhem corretoras de investimento.

Não há problema nenhum em jogar pelo seguro; o problema surge quando essa preferência não é uma escolha informada, mas sim a única alternativa que se conhece e, mais tarde, a mesma falta de informação leva à decisão oposta: entrar diretamente em produtos de risco elevado, sem a etapa intermédia de perceber como funcionam.

É exatamente essa transição que a Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) sinaliza há anos em relação aos contratos por diferença (CFD).

No Regulamento da CMVM n.º 5/2019, de 28 de junho, que tornou permanentes em Portugal as restrições da European Securities and Markets Authority (ESMA) à comercialização de CFD e proibiu a venda de opções binárias a investidores não profissionais, o regulador classifica os CFD como produtos “extremamente complexos, de difícil compreensão, avaliação e comparabilidade e com níveis de risco e volatilidade muito elevados”.

O aviso da ESMA aos investidores é igualmente direto quanto ao que está em jogo: o cliente deve estar ciente de que a sua posição pode ser fechada “quer esteja ou não de acordo” com essa decisão.

Da poupança aos contratos por diferença: os números sobem com a alavancagem

Os 44% de portugueses que já perderam dinheiro referem-se a investimentos em geral (p. ex., ações, fundos, imóveis, criptomoedas, etc.). Quando o produto em causa são CFD, que permitem negociar com alavancagem (isto é, controlar uma posição maior do que o capital efetivamente investido), a percentagem de contas que perdem dinheiro é substancialmente mais alta.

A ESMA, no comunicado que fundamentou as restrições europeias aos CFD, indicou que entre 74% e 89% das contas de retalho perdem dinheiro a negociar este tipo de instrumento, com perdas médias por cliente entre 1600 € e 29.000 €. As percentagens atualmente divulgadas por corretoras a operar em Portugal situam-se nessa faixa.

Este não é um argumento contra perceber como funcionam os CFD; é, precisamente, o argumento a favor de perceber antes de negociar e não depois.

A diferença entre os investidores que perdem tudo e os que sobrevivem a más sequências não costuma estar na sorte, mas em duas decisões tomadas com antecedência:

  1. Quanto deve arriscar-se por operação;
  2. Qual é a percentagem de risco que a carteira é capaz de suportar antes de ser fechada sem que o investidor tenha uma palavra a dizer.

Quanto custa, em euros, arriscar 1% por operação?

Uma das ideias mais repetidas (e mais mal aplicadas) na gestão de risco chama-se «regra de 1%», ou seja, nunca arriscar mais do que 1% do capital total da conta numa única operação. Na prática, o “risco” é a diferença entre o preço de entrada e o nível de stop-loss, multiplicada pela dimensão da posição e não pelo valor total investido na operação.

Em euros, para diferentes tamanhos de conta:

  • Conta de 10.000 € → risco máximo de 100 € por operação;
  • Conta de 5000 € → risco máximo de 50 € por operação;
  • Conta de 1000 € → risco máximo de 10 € por operação.

Parece pouco, mas é mesmo essa a intenção. A «regra de 1%» não existe para maximizar o ganho numa única operação, mas sim para garantir que nenhuma operação, por si só, é capaz de comprometer a conta inteira. É a diferença entre uma má operação ser um incómodo ou o fim da história.

Isto não é aconselhamento de investimento personalizado; é aritmética. É só dizer que é precisamente a aritmética que normalmente falta a quem entra num CFD a “sentir” o mercado sem antes ter decidido, por escrito, quanto está disposto a perder antes de carregar no botão.

Sobreviver a sete perdas seguidas: a matemática que quase ninguém quer fazer

Uma sequência de perdas não é um sinal de que a estratégia está errada, até porque é estatisticamente inevitável, inclusive em estratégias lucrativas a longo prazo.

As sequências de cinco a oito perdas consecutivas acontecem várias vezes por ano a quem negoceia com regularidade; com uma taxa de acerto de 40%, a probabilidade de sofrer uma sequência de 7 perdas ao longo de 200 operações ronda os 57% e aproxima-se da certeza ao longo de um ano de negociação ativa.

A pergunta que interessa não é “isto vai acontecer?” (porque vai, mais cedo ou mais tarde), mas sim “quanto custa, consoante o risco assumido por operação?”.

  • A 1% de risco por operação, sete perdas seguidas reduzem a conta em cerca de 7% (uma perda incómoda, mas recuperável);
  • A 5% de risco por operação, dez perdas seguidas reduzem a conta em cerca de 40%, o que exige um ganho de 67% só para voltar ao ponto de partida;
  • A 10% de risco por operação, dez perdas seguidas reduzem a conta em cerca de 65%, o que requer um ganho de 186% para recuperar.

Esta última comparação é a que mais importa perceber: perder é matematicamente mais fácil do que recuperar. Uma perda de 50% do capital exige um ganho de 100% só para voltar ao ponto de partida. Não há estratégia, sinal ou intuição que compense esta assimetria; só a dimensão da posição a controla.

Reduzir o risco por operação de 2% para 1% pode, por si só, cortar significativamente o chamado «risco de ruína» (a probabilidade de perder a totalidade do capital).

Não é a genialidade da estratégia que evita a ruína, mas sim decidir quanto é que cada operação pode custar antes de a sequência de perdas começar.

Quando o investidor não decide, a corretora fá-lo por si

Há um momento em que a decisão deixa de pertencer ao investidor. Chama-se «margin close-out» (encerramento por insuficiência de margem) e é uma regra imposta pela ESMA, tornada permanente em Portugal pelo Regulamento da CMVM n.º 5/2019, de 28 de junho: quando os fundos disponíveis numa conta caem para menos de 50% da margem mínima exigida para as posições em aberto, a corretora é obrigada a fechar automaticamente uma ou mais posições.

É precisamente por isso que a regulação europeia impõe, em paralelo, a proteção contra o saldo negativo: um cliente de retalho nunca pode perder mais do que o depositado na conta. É uma proteção real, mas resolve apenas o pior cenário (ficar em dívida); não evita perder o capital que já lá estava.

A ligação a tudo o resto abordado neste artigo é direta: quem não define com antecedência quanto está disposto a perder por operação (através de um stop-loss e de uma regra de sizing como a de 1%) está, na prática, a delegar essa decisão à mecânica da margem.

A posição só fecha quando a plataforma o obriga, não quando o investidor decide que devia fechar. Além do mais, há uma diferença enorme entre ambas as questões: uma é gestão de risco; a outra é deixar que a matemática decida por si, sempre depois de a perda já ter acontecido.

Decidir antes e não depois

Voltando à pergunta do título: não existe um estudo que diga quantos portugueses decidiram arriscar sem saber, de antemão, qual seria o resultado; essa é uma pergunta para reflexão pessoal, não um dado estatístico.

Por outro lado, os números que existem e são verificáveis (os 44% que já perderam dinheiro a investir, os 74% a 89% das contas de CFD que perdem dinheiro segundo a ESMA, a matemática de sete perdas seguidas) apontam todos na mesma direção: a diferença raramente está na sorte; passa por saber como investir em CFD e decidir antes, com números concretos, e não depois.

Este artigo constitui material publicitário divulgado em nome da XTB S.A. com fins promocionais. Os instrumentos financeiros mencionados envolvem risco. Invista com responsabilidade.

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A XTB é uma corretora europeia cotada em bolsa, com sucursal em Portugal autorizada pela CMVM (Comissão do Mercado de Valores Mobiliários), registada sob o n.º 341, operando num ambiente regulado e acessível a investidores portugueses.

 

Os contratos por diferença (CFD) disponibilizados pela XTB S.A., através da sua Sucursal em Portugal, são produtos de investimento de retalho abrangidos pelo regime PRIIPs. Este produto não é simples e a sua compreensão poderá ser difícil.

Indicador Sumário de Risco (ISR): 7 numa escala de 1 a 7, correspondente à classe de risco mais elevada. A alavancagem pode originar perdas superiores à margem inicialmente aplicada numa posição. Existem também riscos de liquidez, podendo ser difícil encerrar uma posição nas condições pretendidas.

A negociação de CFD envolve custos, designadamente spreads e, consoante o instrumento e a operação, custos de financiamento pela manutenção de posições e encargos de conversão cambial. Estes custos reduzem o resultado do investimento. Antes de investir, consulte o Documento de Informação Fundamental (DIF) correspondente ao tipo de CFD, disponível na secção ‘KID (Documentos de Informação Fundamental)’ em https://www.xtb.com/pt/informacao-legal, bem como a informação de custos e as tabelas aplicáveis.

Os CFD são instrumentos complexos e apresentam um elevado risco de perda rápida de dinheiro devido ao efeito de alavancagem. 77% das contas de investidores não profissionais perdem dinheiro quando negoceiam CFD com este distribuidor. Deve considerar se compreende como funcionam os CFD e se pode correr o elevado risco de perda do seu dinheiro.