A praia Maria Luísa foi onde, em agosto de 2009, morreram cinco pessoas em consequência da queda uma arriba, risco que a Administração da Região Hidrográfica (ARH) do Algarve procura todos os anos minimizar com a realização de derrocadas controladas antes do início da época balnear, como a que vai executar na quarta-feira, a partir das 09:00, segundo a informação avançada pela APA num comunicado.
“As operações, a realizar com recurso a máquina giratória de 12 toneladas, prolongar-se-ão até ao dia 28 de abril”, precisou a APA.
A mesma fonte adiantou que “foram registados 30 desmoronamentos nas arribas do litoral do barlavento do Algarve, desde 01 de julho de 2016, 13 dos quais precisamente na praia Maria Luísa, na sequência de tempestades do quadrante sueste que se fizeram sentir durante o inverno e primavera”.
A APA acrescentou que, “no total, no Algarve, foi afetada uma frente de mar de cerca de 160 metros”.
A queda de arribas é uma ocorrência natural que sucede sobretudo durante os meses de inverno e quando as condições climatéricas são mais adversas e, antes do início da época balnear, os técnicos da ARH costumam verificar a costa algarvia e realizar demolições controladas nos sítios onde é identificado maior risco, para evitar situações trágicas quando as praias têm mais banhistas, como a que se verificou em 2009 com a morte de cinco pessoas.
“A Agência Portuguesa do Ambiente, através das ARH, efetua regularmente derrocadas controladas como a de que hoje se dá notícia. Trata-se de uma prática preventiva que permite aumentar o nível de segurança de pessoas e bens pois a estabilidade de arribas é imprevisível, fruto da instabilidade natural destas estruturas”, explicou a APA.
Desde 2009, as autoridades têm tentado sensibilizar os turistas e os utentes das praias algarvias para o risco que comporta estar junto às arribas, tendo inclusivamente colocado sinaléticas no local a indicar que são zonas de risco e onde podem ocorrer derrocadas, mas os avisos são muitas vezes ignorados pelos banhistas, que continuam a procurar sombras junto a estas estruturas instáveis e a permanecer nesses locais.
Em agosto passado, outro desmoronamento ocorrido a um domingo na praia Maria Luísa não causou vítimas, mas teve uma dimensão três a quatro vezes superior ao ocorrido em 2009 e que causou a morte a cinco pessoas, segundo a informação avançada na ocasião pela APA.
As estimativas feitas pelo então diretor regional da Agência Portuguesa do Ambiente, Sebastião Teixeira, apontavam para que o peso do bloco que desmoronou equivalesse a 1.000 toneladas e os detritos produzidos chegassem aos 400 metros cúbico, enquanto o de 2009 gerou 140 metros cúbicos.
O incidente de 2016 ocorreu a um domingo na zona poente da praia, exatamente no extremo oposto do local onde as cinco pessoas morreram soterradas e onde a APA vai proceder na quarta-feira à demolição controlada hoje anunciada.
Por: Lusa




