No seguimento das obras que estão a decorrer na Reserva Natural Local da Foz do Almargem e do Trafal referentes à construção de um apoio de praia, o Município de Loulé informa que cumpriu tudo o que está previsto na legislação em vigor em termos de urbanismo, sublinhando que a sua ação no processo procurou sempre reduzir ao máximo o impacte desta obra na riqueza ambiental deste território.
A empreitada em causa prevê, ao abrigo do POOC – Plano de Ordenamento da Orla Costeira de Vilamoura-Vila Real de Santo António, a construção de um apoio de praia, o único do concelho inscrito nos planos de praia que ainda não estava implantado. O licenciamento urbanístico desta infraestrutura mereceu o parecer favorável da ANAC - Autoridade Nacional de Aviação Civil (por se localizar em zona de servidão do Aeroporto e Faro e parecer favorável condicionado da APA – Agência Portuguesa do Ambiente, entidade competente para avaliar este tipo de operação urbanística, CCDR – Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Algarve e Câmara Municipal de Loulé (através da sua Divisão de Ambiente e Divisão de Ação Climática e Economia Circular).
Como sublinha o Município, a classificação da Reserva Natural Local da Foz do Almargem e do Trafal, aprovada a 14 de agosto de 2024, prendeu-se essencialmente com a salvaguarda dos valores paisagísticos, naturais e culturais existentes naquela área, bem como os serviços dos ecossistemas fornecidos, não possuindo qualquer incidência territorial urbanística. Ou seja, as operações urbanísticas podem aqui ocorrer, nomeadamente aquelas que já tinham sido aprovadas em período anterior ao da criação da Reserva, desde que tituladas com enquadramento jurídico legal e com previsão de medidas compensatórias.
 
Assim, a aprovação do apoio de praia foi condicionada à previsão de um parque de estacionamento adequado à área natural onde se insere, nomeadamente através da manutenção da permeabilidade do solo e da otimização do espaço, com o aproveitamento das zonas de clareira existentes e com o mínimo abate de árvores. Foi ainda condicionada à elaboração de um “Plano integrado de recuperação paisagística”.
Através de uma ação concertada entre a APA e o Município de Loulé para compensar os impactos da construção, este Plano passará por iniciativas de enriquecimento da biodiversidade e dos valores ambientais locais, como a remoção de espécies de flora exótica invasoras ou a plantação de espécies com características ecológicas adaptadas ao local.
. Isto porque, no decorrer da implementação das áreas de estacionamento, apoio de praia e passadiço, será necessário abater 23 pinheiros. Como medida compensatória, serão plantados 133 sobreiros na área de intervenção. Tendo em vista a naturalização dos espaços envolventes, está ainda prevista a plantação de mais de 3 mil unidades de arbustos numa área de 12464 m2. 
O Plano prevê também a supressão do acesso motorizado e pedonal ao local de forma desregrada, bem como a eliminação de situações de campismo selvagem. A manutenção desta área vai permitir reduzir o risco de incêndio no local.
Os responsáveis municipais destacam ainda o facto da área total de implantação deste projeto (apoio de praia, estabelecimento de restauração e bebidas, acessos e parque de estacionamento), apesar do seu impacto, corresponde a menos de 1% da área classificada como Reserva Natural Local.
Refira-se que, em virtude da mudança do proprietário e do projetista, encontra-se em fase de apreciação dos serviços municipais um pedido de alteração do projeto de arquitetura inicial “para uma versão esteticamente mais atrativa, funcionalmente mais eficaz e com uma integração no território menos intrusiva”, o que denota que os próprios promotores estão sensibilizados para a necessidade de preservação desta área protegida.