Segurança, resíduos e ruído são as principais questões que preocupam Vilamoura, em especial numa altura em que se aproxima a época alta do turismo e são esperados milhares de visitantes.

Para antecipar soluções e reforçar uma rede colaborativa que proteja a imagem e a qualidade deste destino, o Município de Loulé promoveu, no passado dia 12 de junho, uma reunião de trabalho com os estabelecimentos de comércio, restauração e serviços de Vilamoura, Inframoura, administração da Marina e ainda a Guarda Nacional Republicana (GNR), o coordenador municipal da Proteção Civil e o comandante dos Bombeiros Sapadores de Loulé.

Na abertura da sessão, o autarca Telmo Pinto, deixou um alerta claro sobre a necessidade de proteger a reputação do destino: “Ganhar uma imagem é difícil, mas perder essa imagem acontece de um dia para o outro. Queremos qualidade para quem aqui vive, para quem aqui trabalha e para quem nos visita. Sozinhos não vamos conseguir resolver o problema e só em conjunto podemos fazê-lo”.

A limpeza urbana foi apontada como o primeiro cartão de visita de Vilamoura. Ricardo Cipriano, presidente do Conselho de Administração da Inframoura, alertou os empresários do comércio e restauração para o impacto visual negativo da acumulação de lixo junto aos estabelecimentos. “Quando um turista chega aos vossos espaços comerciais e aquilo que vê são baterias de lixo à volta, obviamente que isso não valoriza Vilamoura”, sublinhou, exibindo imagens de situações críticas que acontecem diariamente.

Os dados apresentados revelam a crescente pressão sobre o território. Só em 2025 foram recolhidas mais de 10.500 toneladas de resíduos, sendo que cerca de metade desse volume se concentrou entre os meses de junho e setembro. Em 2026, até ao final de maio, regista-se já um aumento de 20% face ao período homólogo do ano anterior.

Apesar de o sistema de recolha já assentar numa estrutura robusta, com cerca de 300 locais de deposição distribuídos por toda a área de Vilamoura e um serviço de recolha porta a porta, a Inframoura irá reforçar os recursos humanos e alargar os horários de recolha para responder ao aumento significativo da produção de resíduos durante a época de verão. Neste período, o sistema funcionará de forma praticamente ininterrupta, sendo interrompido apenas entre as 02h00 e as 05h00.

O serviço gratuito “Comércio a Reciclar”, que inclui a distribuição de sacos coloridos e a recolha porta a porta, continuará igualmente disponível para facilitar a gestão de resíduos por parte dos comerciantes. “Estamos disponíveis para nos ajustar às vossas realidades. Mas cada um tem a sua responsabilidade e tem de haver consciência do outro lado”, apelou Ricardo Cipriano.

Embora a segurança pública não seja uma competência direta do Município, o Presidente Telmo Pinto anunciou que irá reunir-se com o Ministro da Administração Interna no próximo dia 23 de junho para exigir o reforço de efetivos para Vilamoura. A Autarquia encontra-se a avançar com a instalação de um sistema de videovigilância composto por 60 câmaras no anel dos hotéis, para além das já existentes na Marina de Vilamoura, estando igualmente prevista a extensão deste sistema a Almancil, Quarteira e Loulé. Em paralelo, decorre o processo de criação da Polícia Municipal, medidas que, em conjunto permitirão libertar a GNR para funções de patrulhamento e fiscalização ativa.

A Major Marta Santos, responsável pelo Destacamento Territorial de Loulé da GNR, assegurou que as autoridades estão cientes dos fenómenos locais e têm atuado firmemente em operações conjuntas com outras entidades, como é o caso da ASAE e da Unidade de Saúde Local (ULS).

O ruído noturno é a matéria que preocupa sobretudo os residentes. A Câmara Municipal anunciou que adotará uma postura firme face a comportamentos que prejudiquem a comunidade. À semelhança de medidas já aplicadas em Loulé, Telmo Pinto avança que poderá reduzir os horários de funcionamento, retirar licenças de esplanada ou proibir música nos estabelecimentos incumpridores.

A fechar esta reunião, o presidente da Junta de Freguesia de Quarteira, João Romão, vincou o receio de que: “Uma má experiência num ano pode ser suficiente para o cliente não voltar. Esta iniciativa serve para manifestar a nossa preocupação e deixar a nossa total disponibilidade para manter a qualidade de Vilamoura”, concluiu.

Por seu turno, Telmo Pinto reconhece que, estando em cima do período estival, o processo poderá não correr com total perfeição, mas assume que esta é a altura certa para agir. “Contamos com a ajuda de todos. Esta atitude colaborativa e o esforço conjunto levar-nos-ão a resultados positivos”, rematou o edil.

 

CM Loulé