O Governo formalizou o arranque de uma das mais relevantes intervenções de defesa costeira no Algarve, com a assinatura do contrato para a alimentação artificial das praias entre Quarteira e o Garrão, numa extensão total de 6,7 quilómetros de litoral.

A obra, considerada estratégica para a proteção da orla costeira e da atividade turística, representa um investimento global de 14,9 milhões de euros.

A cerimónia decorreu este sábado, em Quarteira, junto à Praia do Forte Novo, um dos pontos mais afetados pela erosão marítima, e foi presidida pela ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho. A empreitada foi adjudicada à empresa Dravosa S.A., na sequência de um concurso público internacional lançado em setembro de 2025.

Os trabalhos estão previstos arrancar hoje, 12 de janeiro e segundo garantias do Ministério do Ambiente e Energia, estarão concluídos antes do início da próxima época balnear, cumprindo um calendário considerado essencial para a segurança de pessoas e bens.

1,4 milhões de metros cúbicos de areia para reforçar a linha de costa

A intervenção prevê a deposição de cerca de 1,4 milhões de metros cúbicos de areias ao longo do troço costeiro, permitindo um alargamento médio do areal em cerca de 37 a 40 metros. Trata-se de um volume significativamente superior ao habitualmente utilizado neste tipo de operações, com o objetivo de prolongar a eficácia da proteção costeira.

De acordo com a Agência Portuguesa do Ambiente (APA), a utilização de uma draga de elevada capacidade permitirá concluir a fase de alimentação artificial num prazo aproximado de dois meses, reduzindo o impacto temporal da obra.

O projeto tem como principal finalidade mitigar a erosão das arribas, estabilizar o sistema costeiro e evitar efeitos adversos no sistema de ilhas-barreira da Ria Formosa, garantindo o equilíbrio sedimentar a sotamar.

Uma estratégia integrada para o litoral algarvio

Embora o contrato agora assinado diga respeito essencialmente à reposição de areia, estão previstos investimentos complementares para a requalificação de passadiços, acessos e infraestruturas de apoio às praias. A ministra do Ambiente confirmou ainda que se encontram em fase avançada os projetos para a recuperação dos esporões de Quarteira, já com autorização ambiental emitida.

Esta intervenção insere-se num plano mais vasto de proteção e adaptação da costa algarvia, que inclui obras em curso na Praia do Vau, em Portimão, a renaturalização da Península do Ancão, bem como a alimentação artificial das praias da Fuzeta e da Ilha da Armona.

“São intervenções estruturais, fundamentais para o país, que visam proteger populações, salvaguardar infraestruturas e defender um dos principais ativos económicos nacionais”, sublinhou Maria da Graça Carvalho.

Processo longo, mas considerado decisivo

A governante reconheceu que o avanço da obra foi condicionado por procedimentos administrativos complexos, nomeadamente a elaboração do Estudo de Impacte Ambiental e a emissão da respetiva Declaração de Impacte Ambiental, etapas legalmente exigidas. Ainda assim, destacou a prioridade dada pelo atual Governo à execução de projetos há muito aguardados.

Também a nível local, o presidente da Câmara Municipal de Loulé, Telmo Pinto, manifestou satisfação com o início da empreitada, afirmando que o município está preparado para planear futuras intervenções de forma articulada com a administração central.

Do ponto de vista político, foi sublinhada a necessidade de tornar estas operações mais regulares e previsíveis, encarando a defesa do litoral não apenas como uma questão ambiental, mas também como um desafio económico e de salvaguarda do território.

A conclusão da obra antes do verão é vista como determinante para reforçar a resiliência da costa, proteger o turismo e garantir maior segurança a residentes e visitantes numa das zonas balneares mais procuradas do Algarve.