Subida dos juros e diferenças entre preços das casas e salários deve moderar valorização da habitação, antecipa num estudo.

O Banco BPI antecipa que 2026 "possa ser o ano com o número mais elevado de fogos construídos desde 2010", prevendo que o aumento de novas habitações concluídas venha a superar em 2% os valores do ano passado.

Segundo uma análise do departamento de estudos do banco, se o ritmo de edificação se mantiver igual ao do primeiro trimestre, em que foram concluídas 6.931 novas habitações, poderá vir a registar-se no final do ano um "incremento de 2% dos novos fogos de habitação face a 2025 e o número mais elevado de fogos construídos desde 2010".

No entanto, o BPI destaca que o ritmo de construção segue a crescer, mas de forma limitada", com o número de fogos de habitação a aumentar sistematicamente na última década, tendo atingido 27.301 em 2025, uma subida de 282% em relação a 2015.

A oferta, ainda limitada, de novos imóveis, a pressão dos custos de construção e a robustez do mercado de trabalho continuam a suportar "uma valorização robusta de preços em 2026", que a publicação sobre o setor imobiliário residencial divulgada pelo BPI estima em 15,7%.

Contudo, o afastamento crescente entre preços da habitação e salários e o aumento de taxas de juro "tende a moderar essa valorização face a 2025".

Desde o início do ano que as expectativas para a evolução dos preços têm vindo a reduzir-se, apontando para uma "estabilização nos próximos meses, sendo esta perspetiva transversal quer a mediadores quer a produtores", indica a mesma análise.

No primeiro trimestre de 2026, o Índice de Preços da Habitação registou uma variação homóloga de 17,8% e, em cadeia, de 3,8%, menos duas décimas do que no trimestre anterior. "Um ritmo de crescimento mais moderado, mas ainda muito forte", ressalva o BPI.

O preço médio das casas transacionadas aumentou para 262,8 mil euros, mais 5,1% do que no último trimestre de 2025.

BPI espera aperto "controlado" dos juros do BCE - crédito habitação deverá esfriar

Apesar de a avaliação bancária da habitação também continuar a subir, "existem sinais de abrandamento". A avaliação mediana "perdeu algum fôlego em termos homólogos".

A nível macroeconómico, o Banco BPI aponta para um aperto monetário "controlado", esperando um eventual aumento das taxas de juro do BCE para 2,5% em setembro, "um outro antes do final do ano (2,75%) e até a possibilidade de alcançar 3% em 2027".

Quanto às novas operações de crédito habitação, mostraram "uma robustez expressiva no primeiro semestre" do ano, mas o banco antecipa que a introdução das novas regras macroprudenciais do Banco de Portugal, em vigor desde 01 de agosto, "deverá esfriar este dinamismo".

Na primeira metade do ano, as novas operações de crédito habitação aumentaram 12,1% em termos homólogos.

 

Lusa

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