A Administração da Região Hidrográfica (ARH) do Algarve vai suspender nos dias de domingo e segunda-feira a demolição controlada de uma arriba na praia Maria Luísa, em Albufeira, retomando os trabalhos na terça-feira, disse o diretor regional.

Sebastião Teixeira reconheceu que os trabalhos têm “sido dificultados” pela proximidade da linha de maré com a arriba intervencionada, na zona nascente da praia algarvia, onde em 2009 morreram cinco pessoas devido ao desmoronamento de uma dessas estruturas.

Os trabalhos arrancaram na quarta-feira e deviam ter ficado concluídos na sexta-feira, segundo o plano inicial definido pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA), através da ARH do Algarve. O diretor regional disse nesse dia que tinha a “expectativa” de concluir o saneamento rápidamente.

“Os trabalhos estão concluídos no topo da arriba, mas ainda não foi possível terminar o saneamento na base, porque a máquina só pode operar durante a baixa-mar, dado na preia-mar a água chegar à base da estrutura”, afirmou Sebastião Teixeira à agência Lusa.

Sebastião Teixeira traçou como nova meta para o fim dos trabalhos “terça-feira ou, no máximo, quarta-feira”.

O diretor regional da ARH do Algarve frisou também, na sexta-feira, que a arriba tem “zonas mais compactas, outras menos compactas, e nem sempre as coisas correm como se espera” quando se faz o derrube e são retirados os escombros.

A mesma fonte observou também na ocasião que houve questões “relacionadas com o manobramento da máquina de 25 toneladas que está a efetuar os trabalhos” que contribuíram para o atraso no plano inicial.

No primeiro dia da intervenção tinha sido feita a demolição em dez metros de frente de mar da praia Maria Luísa, segundo os dados avançados na quarta-feira pelo diretor da Administração da Região Hidrográfica do Algarve.

A frente de mar a sanear tem cerca de 50 metros e os trabalhos foram projetados para o “período de marés vivas”, para aproveitar a época em que o mar mais recua na maré baixa, tornando possível a deslocação da máquina da praia da Falésia para a vizinha Maria Luísa, explicou a mesma fonte.

“Trata-se de uma intervenção de prevenção, para evitar que a arriba caia durante a época balnear”, referiu ainda o diretor da ARH do Algarve, frisando que a arriba em causa está numa “zona muito fustigada com levante [ondulação causada por vento sueste]” nos meses anteriores e isso fez com que o “mar incidisse com mais frequência na arriba, causando o seu desgaste”.

Na praia Maria Luísa, em agosto de 2009, morreram cinco pessoas em consequência da queda uma arriba, risco que a ARH do Algarve procura todos os anos minimizar com a realização de derrocadas controladas antes do início da época balnear.

A APA adiantou que “foram registados 30 desmoronamentos nas arribas do litoral do barlavento do Algarve, desde 01 de julho de 2016, 13 dos quais na praia Maria Luísa, na sequência de tempestades do quadrante sueste que se fizeram sentir durante o inverno e primavera”.

 

Por: Lusa