19 de novembro | 19h30 Centro Comunitário de Alvor
No próximo dia 19 de novembro, pelas 19h30, o Centro Comunitário de Alvor recebe o espetáculo de teatro-documentário - «Pelos que andam sobre as águas
do mar», de Raquel Belchior/GALATEIA, que contará com a participação especial do coro feminino do Centro Comunitário de Alvor. A entrada é gratuita mas de reserva obrigatória.
 
No ano transato, este teatro - documentário subiu ai palco do Auditório do Museu de Portimão e teve casa cheia.
De referir, que dois dias antes, dia 17 de novembro, pelas 16h00, irá ser apresentado o livro «PELOS QUE ANDAM SOBRE AS ÁGUAS DO MAR»– notas de um processo artístico e antropológico na Antiga Lota de Alvor. Este livro contou com acolaboração do Museu de Portimão.
 
Contrariando a efemeridade do teatro, este livro regista o processo de investigação artística e antropológica realizada nas comunidades piscatórias da Nazaré, Sesimbra, Setúbal, Montijo e Alvor. Ao coligir os testemunhos das várias pessoas entrevistadas e as experiências da equipa durante as residências artísticas nestes locais, pretendemos contribuir para a consolidação de um património coletivo ligado à vivência marítima e piscatória.
 
Sobre o Espetáculo - Inspirado na obra «Os Pescadores», de Raul Brandão, no trabalho de investigação realizado nas comunidades piscatórias de Portimão, Nazaré, Sesimbra, Setúbal e Montijo, e na investigação antropológica de Vanessa Amorim, o projeto tem o Museu de Portimão como parceiro, conta com a participação das atrizes Ana Lúcia Palminha e Suzana Branco e é encenado por Miguel Jesus.
 
Entre 1921 e 1923 Raul Brandão documentou nas páginas d´OS PESCADORES a dimensão do nosso mar e quem dele fazia vida. Esta obra, escrita há mais de 90 anos, permanece como um dos mais belos roteiros literários dos nossos portos, praias e rias.
 
Partindo do livro de Raul Brandão e do trabalho de pesquisa junto de diferentes comunidades piscatórias, o espetáculo «Pelos que andam sobre as águas do mar» pretende homenagear as várias gerações de homens e mulheres que fizeram e fazem do mar a sua vida.
 
Duas atrizes dão corpo e voz às suas histórias convocando de forma poética a memória e a paisagem da nossa costa.
Em cada local um espetáculo diferente, reescrito a partir da experiência efetiva e afetiva com a comunidade.
 
SINOPSE
Que relatos e que retratos se podem traçar hoje, à luz do século XXI, sobre a história e as estórias das gentes e do mar? Que paisagens litorais se podem desenhar e dar a conhecer?
 
Este projeto pretende contribuir para o fortalecimento da identidade cultural da linha costeira do país através da produção de registos literários, fílmicos e
teatrais, por sua vez baseados no património material e imaterial associado à pesca e ao mar.
 
O FASCÍNIO EM RAUL BRANDÃO
As comemorações dos 150 anos do nascimento de Raul Brandão constituem uma excelente oportunidade para revisitar a escrita de um dos mais importantes escritores da nossa literatura.
 
A sua escrita, refletindo uma personalidade plural, e por vezes contraditória, deambula entre uma abordagem sombria da condição humana, que identificamos, por exemplo, em Húmus, a sua obra-prima, e a descrição luminosa do homem e da natureza, revelada em livros como As Ilhas Desconhecidas; mas sempre
com uma forte preocupação com a situação e o destino dos mais carenciados.
 
Os Pescadores, o seu livro mais popular em vida, de cariz impressionista, constitui-se como um importante registo, um retrato social do país piscatório à época, queimporta, no tempo atual, abordar com novas ferramentas.
 
O papel central das Mulheres nas comunidades, a escassez dos recursos, já apontada por Brandão nos anos 20 do século passado, o mar como lugar de tragédia, são apenas alguns dos temas que temos vindo a trabalhar.
 
A obra de Brandão é assim ponto de partida e inspiração para uma reescrita sobre o que resta desse mundo, esventrado pela máquina do tempo e pelos seus atores.
 
Este espetáculo é promovido pelo Museu de Portimão e pela Junta de Freguesia de Alvor.
 
 
Por: CM Portimão