Os estudantes da Universidade do Algarve (e não só) regressaram a Paderne entre 25 de janeiro de 01 deste mês para encerrar o triénio da «Missão País» naquela aldeia.

Ao longo dos últimos três anos foram quase 150 os estudantes voluntários que passaram por Paderne para levar a cabo uma missão que deixou marcas na freguesia. O pároco, em declarações ao Folha do Domingo, considera que a sua passagem “foi uma graça”. O padre Pedro Manuel fala mesmo numa “lufada de ar fresco nas casas, nas famílias, na forma de rezar e de cantar, no impacto com a catequese, na forma como se entrosaram e como foram capazes de manifestar a alegria da fé, mas também a alegria da juventude”.


“Foram impactantes, um bonito testemunho e objetivamente uma grande riqueza”, acrescenta o sacerdote, lembrando aqueles jovens poderiam ter estado de férias, mas fizeram outra opção. “Tiraram estes dias para estar ali connosco e para fazer de Paderne a sua casa”, constatou, agradecendo à Capelania e própria Universidade do Algarve (UAlg) por terem escolhido Paderne para aquela missão.

O pároco de Paderne realça ainda o “impacto social” do trabalho dos missionários nas creches, no lar de idosos e no centro de dia com base nos testemunhos que teve por parte dos colaboradores e dos utentes. “Fazer isto por amor e de forma gratuita é algo que toca muito o coração”, resumiu.

Neste âmbito, o sacerdote destaca igualmente o apoio social levado a cabo pelos jovens que integraram o designado ‘Just a Change’, que se ocupa de pequenas obras e melhoramentos em casas de pessoas carenciadas. Em Paderne recuperaram uma habitação desabitada que poderá “receber agora alguma família cadenciada”.

No entanto, o padre Pedro Manuel evidencia sobretudo a ‘Missão País’ por outra dimensão sem ser a dimensão prática. “Creio que as paróquias saem sempre muito enriquecidas não pelo que se faz, mas pelo que se é. A beleza, a alegria e a riqueza do testemunho, pessoalmente, deixa-me sempre muito tocado e percebi que aos paroquianos também”, referiu.

O sacerdote adverte que o desafio passa agora por “manter a alegria e o entusiasmo da comunidade que não se sente substituída, mas abraçada, sobretudo porque acolhe”. “Estes dias são sempre possíveis porque o coração humano é uma porta que se abre para que outros entrem. Obrigado também a cada um dos meus paroquianos pela beleza do que transmitiu cada vez que acolhe a vida de quem cá chega”, declarou.

Nos três anos, a missão teve como assistente espiritual o padre António de Freitas e contou também com a participação do padre Bruno Valente, neste último ano já como sacerdote e nos anos anteriores, primeiro como seminarista e o ano passado como diácono. Este ano, a ‘Missão País’ contou também com a participação de uma jovem irmã Dominicana de Santa Catarina de Sena, instituto religioso que, para além de Paderne, trabalha também nas paróquias de Boliqueime e Ferreiras.

Alojados na Casa do Povo, os 38 voluntários deste terceiro ano de missão, 32 raparigas e seis rapazes, incluindo estudantes de outras universidades como as de Aveiro, Lisboa e Portimão, para além dos que integraram o ‘Just a Change’, dividiram-se pelo trabalho nas creches, no lar de idosos e no centro de dia do Centro Paroquial de Paderne, na Unidade de Vida Apoiada Casa da Paz da Santa Casa da Misericórdia de Albufeira – valência que se destina a pessoas adultas que, por limitação mental crónica e fatores sociais graves, não conseguem organizar, sem apoio, as atividades de vida diária -, na escola e no teatro que apresentaram à comunidade.

Muitos deles participaram este ano na sua primeira ‘Missão País’, mas os chefes gerais da ‘Missão País’ 2026 da UAlg, Guilherme Bacôco e Vanessa Lebre, em declarações ao Folha do Domingo, testemunharam que isso não constituiu dificuldade à sua adaptação, contribuindo até para que tivesse sido “uma semana bastante positiva”.

A ‘Missão País’ este ano tem como lema “A Paz seja convosco” que tem fundamento no Evangelho onde São João relata a aparição de Jesus aos discípulos (João 20, 19-29), e São Tomé não estava presente. “Tomé mostra a fragilidade humana ao não ter medo de dizer as suas dúvidas, ao pedir sinais – é o gémeo da humanidade, é carne como nós!”, explicou a organização nacional do projeto universitário que este ano escolheu a cor grená, a “cor da carne”. A ‘Missão País’ 2026 está a ser levada a cabo em 75 localidades por 60 faculdades, de várias regiões de Portugal continental e arquipélagos, reunindo mais de 4.000 missionários.

A ‘Missão País’ é uma iniciativa universitária que começou em 2003 com três estudantes da Universidade Nova de Lisboa ligados ao Movimento Apostólico de Schoenstatt. Nela participam jovens de todos os credos e também quem não professa nenhuma religião. São semanas de apostolado e de ação social que decorrem durante três anos consecutivos no período de interrupção de aulas entre o primeiro e o segundo semestres, divididas em três dimensões complementares – externa, interna e pessoal – em que o primeiro ano consiste no “acolhimento”, o segundo na “transformação e o terceiro no “envio”.

 

Folha do Domingo