O estudo sobre os resíduos do Algarve, a lançar pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA), vai incluir a avaliação da proposta de tratamento mecânico e biológico (TMB) apresentada pela ZERO, revelou hoje a associação ambientalista.

Em comunicado, a ZERO adiantou ter recebido um ofício da ministra do Ambiente e da Energia, Maria da Graça Carvalho, a confirmar que o estudo, que será alvo de protocolo a assinar hoje, em Faro, avaliará, entre outras opções, a proposta da associação.

A ZERO “congratula-se com o facto de o tratamento mecânico e biológico ir ser considerado, pois é mais rápido, barato e amigo do ambiente do que a incineração”, lê-se na nota.

A proposta consiste na instalação a montante dos dois aterros da Algar situados nos concelhos de Loulé e Portimão, no distrito de Faro, de duas unidades de TMB “com capacidade para tratar todos os resíduos orgânicos e triagem de grande parte dos recicláveis”.

Segundo a associação, esta solução permitiria, “de forma rápida, desviar de aterro cerca de 70%” dos resíduos indiferenciados e “acabar com os problemas ambientais decorrentes da descarga de resíduos orgânicos nos aterros, tais como os maus cheiros”.

A Algar, empresa responsável pela gestão e tratamento de resíduos no Algarve, processa anualmente mais de 400 mil toneladas de resíduos urbanos, mas 85% vão diretamente para aterro, estando os dois equipamentos da região à beira do esgotamento.

Portugal deposita atualmente em aterro 54% dos resíduos, com uma meta imposta pela União Europeia para 2035 de 10%.

A ZERO salientou que a instalação das unidades de TMB pode demorar até três anos, enquanto a incineração, processo sugerido em agosto pela ministra do Ambiente, “demorará pelo menos sete anos”.

A incineração implicaria “encontrar uma localização, o que será muito complicado ou mesmo impossível de se conseguir”, e “um aumento brutal” do custo que as autarquias do Algarve vão ter com o tratamento dos resíduos, acrescentou a associação.

A solução proposta pela ZERO, que pode ser financiada por fundos comunitários, “não ultrapassa os 150 milhões de euros”, enquanto a incineração, sem acesso a financiamento europeu, “custa pelo menos 300 milhões de euros”, valor que será ainda maior “face à obrigação de colocar um sistema de captura de carbono nas novas unidades de incineração”, explicou.

A ZERO defendeu ainda que o TMB “permite a retirada rápida dos resíduos orgânicos dos aterros”, fazendo com que a legislação sobre os aterros seja cumprida, e “a triagem de vários materiais recicláveis que ainda estão nos resíduos urbanos indiferenciados”, como plásticos, cartão, vidro, pilhas, metais ou pequenos equipamentos elétricos e eletrónicos.

“Face às claras vantagens do TMB em relação à incineração em termos de velocidade da resolução do problema dos aterros, dos custos envolvidos e dos impactes ambientais, a ZERO tem a expectativa que o estudo que vai ser lançado pela APA vai concluir que o TMB é muito mais vantajoso para os algarvios do que a incineração”, resumiu a associação.

Paralelamente, deve ser instalado no Algarve “um sistema de recolha seletiva de alta eficiência, baseado na recolha porta-a-porta e de proximidade de embalagens e de biorresíduos”, a iniciar junto dos estabelecimentos de restauração, “o que já é obrigatório desde 2025”, assinalou ainda a ZERO.

O estudo que vai avaliar as soluções tecnológicas mais adequadas para o tratamento dos resíduos urbanos produzidos na região e possíveis localizações para futuras infraestruturas será homologado através de um protocolo a assinar hoje entre a APA e a Comunidade Intermunicipal do Algarve (AMAL), com a presença da ministra do Ambiente.

 

Lusa