A Direção da Organização Regional do Algarve do PCP (DORAL) bateu-se durante décadas pela eletrificação da linha do Algarve.

O início da circulação de comboios elétricos nesta linha, embora com muitos anos de atraso, é um dado positivo, que, no entanto, não anula o muito que falta de planeamento e investimento, para garantir um serviço ferroviário que sirva inteiramente as populações e a região.

A eletrificação total da Linha do Algarve arrastou-se por mais de 20 anos, registando ao longo deste período atrasos significativos, sendo que neste momento ainda estão a decorrer trabalhos, o que não impede a circulação de composições com tração elétrica, acabando assim com os comboios a diesel.

Eletrificada a linha e com o “novo” (neste caso reconvertido) material circulante, é necessário realizar um sério trabalho de requalificação das estações e apeadeiros, quer no que respeita ao edificado, quer no que respeita aos sistemas de informação, aos serviços que prestam e às ligações rodoviárias que garantem.

Mas não basta eletrificar a Linha e dotar esta de material circulante para o seu funcionamento. Os trabalhadores são parte essencial para o seu regular funcionamento, e também aqui é necessário dotar o serviço ferroviário regional do número adequado de trabalhadores, quer seja nas estações e apeadeiros, quer seja nas oficinas de manutenção, assim como nos restantes serviços existentes e que são indispensáveis para o seu funcionamento.

Os novos horários programados, carecem também de verificação, tendo presente as necessidades das populações e a mobilidade inter-regional, pois apesar de circularem mais comboios a resposta está longe de ser a necessária. Sinalize-se como exemplo, o período do meio da manhã - onde acaba o serviço regional em várias estações com a introdução do Inter-Regional, que para ser mais rápido deixa de fora 13 localidades das 30 paragens da Linha do Algarve, ou o período noturno - em que não são criadas mais ligações para além dos horários existentes. Sem melhoria significativa, pois só se alteram horários, ficaram as ligações a Lisboa, com os serviços Alfa Pendular e Intercidades, a continuarem a sair apenas de Faro.

Para a DORAL, apesar desta nova realidade, importa ter presente o muito que ainda falta para solidificar no Algarve para uma resposta ferroviária de qualidade. Há todo um investimento que é urgente planear, calendarizar, garantir fundos e sobretudo concretizar. Independentemente dos avanços observados não podemos deixar de continuar a sinalizar a falta da reativação da concordância de Tunes; o alargamento das ligações IC e AP a Vila Real de Santo António e a Lagos; a ligação ao Aeroporto e à Universidade do Algarve (a proposta de ligação em rodovia não é solução); a reativação do serviço regional em São Marcos da Serra; o estudo e planeamento da ligação de alta velocidade a Espanha.

Num momento em que o Governo PSD/CDS tem como intenção privatizar as linhas ferroviárias sub-urbanos de Lisboa e do Porto, a DORAL do PCP chama a atenção para os perigos que envolvem essa opção para regiões como a do Algarve, tal como se opõe à tentativa de transferência de competências nesta área para as autarquias ou para as Comunidades Intermunicipais. Para o PCP, o desenvolvimento da ferrovia, enquanto opção estratégica para o País, reclama uma CP una e coesa, ao serviço das populações e do País, e não a sua segmentação e privatização.

 

PCP Algarve