Quatro anos e meio depois da sua introdução pelo anterior governo PSD/CDS a região continua a não ter paz e as consequências, muito negativas, estão à vista de todas.
Além de terem agravado a crise económica e social, as portagens têm provocado muito sofrimento ao Algarve e às suas populações, com destaque para a ocorrência de muitos acidentes de viação, em particular na EN 125. São cerca de 10 mil acidentes anuais (média de 25 acidentes por dia), com uma média de 35 vítimas mortais e 160 feridos graves. As caóticas e intermináveis obras de requalificação na EN 125 têm potenciado os acidentes rodoviários.
De acordo com os últimos dados vindos a público disparou o número de acidentes no Algarve desde o início do ano. Entre 1 de janeiro e 31 de maio tiveram lugar 3 608 acidentes nas estradas algarvias – grande parte na EN 125 – originando 9 mortos e 56 feridos graves.
Também se revela verdadeiramente preocupante o facto das obras de requalificação nesta via apresentarem “erros grosseiros”, o que tem gerado uma onda de indignação.
Alguns desses erros têm a ver como a colocação de separadores centrais que dificultam a circulação e impedem o acesso a veículos de emergência, a construção de rotundas em locais sem cruzamento, a não construção dessas mesmas rotundas noutros locais muito perigosos, a redução da via nas zonas urbanas, o que provoca grandes dificuldades de circulação às viaturas de passageiros e de mercadorias, agravando o risco de acidentes. Com a chegada do verão em que os veículos triplicam teremos um verdadeiro “inferno”
no Algarve. Muito mais do que suspender as obras na EN 125, o que se impõe é o levantamento urgente das portagens na Via do Infante.
O Algarve perdeu uma grande oportunidade no passado dia 6 de maio quando foram chumbadas, na Assembleia da República, várias propostas para a abolição das portagens na Via do Infante.
Infelizmente, mais uma vez se formou uma coligação negativa de interesses entre o PS, PSD e CDS/PP, tendo estas forças políticas chumbado tais propostas. E a grande desilusão foram os deputados do Partido Socialista, quando desta vez tinham a “faca e o queijo” para acabar com umas portagens injustas, erradas, arbitrárias e ruinosas. É preciso não esquecer que António Costa ainda não cumpriu a sua palavra, ao ter reconhecido antes das eleições legislativas que a EN 125 era um “cemitério” e admitido levantar as portagens na Via do Infante.
Urge assim, acabar com as portagens no Algarve. A Comissão de Utentes da Via do Infante vai intensificar a luta contra as portagens durante o verão. As primeiras ações irão ocorrer durante dois dias na EN 125 para assinalar a entrada do verão.
No dia 19 de junho (domingo) será feita uma distribuição de panfletos aos utentes e população de Lagoa e uma concentração de protesto, a partir das 17.30 h, junto à rotunda em obras desta localidade, na EN 125.
No dia 20 de junho (segunda), pelas 11.00h, será colocado um memorial para assinalar as vítimas que faleceram, junto ao cruzamento de Pera/Algoz, e que, inexplicavelmente, não terá qualquer rotunda construída. Ainda no dia 20 de junho, a partir das 17.30 h, será feita uma outra concentração de protesto no centro de Fonte de Boliqueime, junto à rotunda em obras, com deslocação até à Patã, onde há poucos dias se verificou mais uma vítima mortal. Outras ações se seguirão durante o verão, algumas de surpresa.
A Comissão de Utentes exorta os utentes e populações a participarem nestas ações de protesto com vista a terminar com as portagens no Algarve. A continuação da luta é o caminho a seguir.
Por: Comissão de Utentes Via Infante