Sobre a mudança, prevista para o fim do mês, o responsável pela equipa do CNRLI, Rodrigo Serra, ouvido pela Lusa, afirmou-se preocupado com o futuro dos linces e considerou desumana a forma como se está a tratar mais de uma década de dedicação dos trabalhadores.
No requerimento do Livre, a que a Lusa teve acesso, o partido questionou Maria da Graça Carvalho sobre o motivo para o CNRLI, em Silves, passar a partir de junho a ser gerido diretamente pelo Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), não se renovando o contrato com os atuais responsáveis, uma equipa que integra 14 veterinários e que gere o centro há 16 anos.
O Livre disse que o processo “deve ser esclarecido e transparente, uma vez que a conservação do lince ibérico não é matéria de gerência interna do ICNF, mas sim uma política ambiental estratégica, com financiamento público europeu e responsabilidade partilhada perante a sociedade portuguesa e a comunidade internacional”.
O Livre perguntou nomeadamente à ministra como é que garante que a mudança não compromete o sucesso do programa de reintrodução do lince-ibérico, se existe um plano de transição, e o que vai acontecer com os trabalhadores dos quadros da empresa que operacionalizava o CNRLI desde 2009.
Hoje, a equipa técnica do CNRLI manifestou em comunicado “profunda preocupação” sobre a forma e o calendário previstos para a transição, considerando que é precisa uma transição técnica, legal e operacionalmente segura, “devidamente articulada com os parceiros ibéricos envolvidos no programa de conservação do lince-ibérico nos últimos 16 anos, com sucesso comprovado”.
A equipa alertou ainda que a transição afeta 14 profissionais altamente especializados, entre veterinários, tratadores, técnicos e “especialistas que acumularam conhecimento único sobre comportamento, reprodução, maneio e recuperação da espécie”, não tendo sido apresentada até agora qualquer solução para esses trabalhadores.
Rodrigo Serra, coordenador do Programa Ibérico de Conservação Ex-situ para o lince-ibérico e responsável técnico pela operação do CNLRI nos últimos 16 anos, confirmou em declarações à Lusa a falta de informação concreta sobre o que se está e vai passar e disse que o que foi proposto a trabalhadores nos quadros da empresa é que passem para a nova gestão com contratos a prazo, uma precarização que considera ilegal.
Rodrigo Serra disse que informalmente a equipa já tinha sido informada de que o ICNF estava a pensar num novo modelo de gestão, que queria “internalizar o sucesso do lince-ibérico”.
O responsável disse que o ICNF pode mudar a gestão, mas apontou que o grande problema é a falta de um processo de transição com a nova equipa que chegue do ICNF.
“Estamos disponíveis para continuar a garantir este trabalho, altamente especializado, e estaremos aqui até que o ICNF nos diga que temos de sair”, explicou à Lusa, salientando que o essencial é a transmissão de conhecimento.
“Não nos opomos a uma mudança de gestão, mas a ausência de uma transição segura é um risco acrescido”, insistiu.
A pouco mais de duas semanas da mudança prevista ainda não começou qualquer transição, assegurou Rodrigo Serra, defendendo que uma transição deveria demorar pelo menos um ano, porque o calendário de trabalho com o lince ibérico é de 12 meses, pelo que “o treino de uma equipa não se faz em três semanas”.
Rodrigo Serra concluiu que com este processo os linces podem correr graves riscos e os profissionais também podem correr riscos. “Há informação que se vai perder”, lamentou, afirmando que do lado de Espanha também “estão preocupados” com o que vai acontecer.
Lusa


