O músico Luís Sequeira, em entrevista à agência Lusa, disse que o seu novo álbum, «Quer Sequeira quer não», que apresenta hoje em Carcavelos, concelho de Cascais, «fala sobre o amor e o desamor e as idiossincrasias do amor».

“Quer Sequeira Quer Não” é o segundo álbum do músico de 32 anos, sucedendo a “Ensaio sobre o Sequeira” (2023). À Lusa, o músico reconheceu o sentido “irónico” dos títulos escolhidos.

“Não foi de propósito. É porque é mais um fator chamativo em que o meu nome possa aparecer, desde que seja conectado com o intuito e o conteúdo do disco ou da obra apresentada. Neste caso, ‘Ensaio sobre o Sequeira’, foi um jogo de palavras [entre mim] e o produtor do primeiro disco, o meu padrinho musical, Tiago Pais Dias. E o nome do disco veio - veio mesmo - de uma brincadeira", relacionando-se, "de uma forma muito humilde e quase passageira", com a obra de José Saramago, "Ensaio sobre a Cegueira”.

"O primeiro disco de qualquer artista, seja ele de que área for, é sempre um tubo de ensaio, é sempre uma área de experimentação: vamos ensaiar aquilo que nos encaixa melhor, a mensagem que queremos transmitir, aquilo que nós somos enquanto artista”, explicou o músico.

Quanto ao novo álbum, "Quer Sequeira quer não", o tema transversal é o amor, a sua relevância, quer se queira, quer não.

“Não há como querer viver esse epíteto da existência humana, que, na minha opinião, é o amor. Nada interessa mais do que o amor, nem nos vale. O amor é tudo o que nós temos, seja família, amigos, mas essencialmente o amor que nós temos por alguém [...]. Esse é o amor que nos move, que faz canções, quadros, peças de teatro... E, quer se queira quer não, para se tentar viver esse amor em absoluto, tem de se lidar com o lado menos bom da 'coisa'”, argumentou.

“Este segundo disco já é muito mais pessoal, mais introspetivo; foquei-me mais em lidar com as minhas emoções, nomeadamente aquilo que o amor me suscita, me faz sentir e que eu experienciei”.

“Fala não só de uma viagem pessoal e de experiências pessoais, mas de situações imaginadas, inspiradas em factos de amigos, familiares, em filmes e séries e coisas desse género que me inspiraram a escrever sobre esses temas, sobre essas variações que existem nas relações - relações de circunstância, de opção compulsiva, saudáveis, ou relações entre o tempo e a maneira como nos devemos dedicar uns aos outros para ter proveito daquela que é a nossa maior força, que é o amor e o nosso ponto mais em comum”.

Luis Sequeira referiu-se à sonoridade de “Quer Sequeira Quer Não”, como “pop rock alternativa, garantidamente e com a maior frontalidade possível”.

“Não é pop, porque não é muito ‘mainstream’, não é rock porque tem uma vertente pop, e alternativa a 100% também não é. Acho que é uma 'sopa', uma mescla original mas que tem esses três géneros muito colados. Portanto, se pudesse chamar, era pop rock alternativo”.

O músico disse que essa via “não foi de propósito". "Mas nós somos aquilo que ouvimos. E mais a nossa maneira de pensar e sentir, muito baseada naquilo que ouvimos e naquilo por que passamos. Por conversas, opiniões, leituras, seja o que for. E eu tento sempre seguir o meu objetivo principal antes de sequer pensar em que sentido é que se faz; guio-me sempre pelo sentir e pelo arrepio, pelo eriçar do ‘scalp’, mesmo atrás da nossa cabeça, porque essas sensações, na palavra francesa, [...] é a ‘frisson’”.

“Ando sempre atrás disso. Se ao fim de uma maquete ou de uma volta a uma música ou a uma ideia não me atingir a nível sentimental e emotivo, não avanço”.

Todos os temas do novo álbum, letra e música, são de autoria de Luís Sequeira, tendo o músico sido também o produtor.

“Quer Sequeira quer não” é apresentado hoje no Espaço Criarte, em Carcavelos, nos arredores de Lisboa.

“Embora ache que tenha ainda muito a aprender com a nossa literatura e a literatura mundial, talvez me consiga tornar poeta. Não sei se me posso chamar poeta. Uma coisa sei: é que quando canto sinto a reverberação nas outras pessoas e sinto que o meu instrumento é de longe o meu ponto mais forte".

Sequeira tem bases musicais, nomeadamente de guitarra e no piano. "Depois, a parte da poesia é que ainda estou a trabalhar mais, mas acredito que este 'Quer Sequeira quer não' é mais um passo na direção da minha evolução”.

O álbum foi gravado nos estúdios da Malware Soundprod, do baterista David Jerónimo, que Sequeira conheceu quando, em 2014, concorreu ao programa televisivo “The Voice – Portugal”, tendo terminado em 2.º lugar.

No álbum, Sequeira gravou as vozes e guitarras e alguns teclados, David Jerónimo, as baterias, Tiago Mourão, o baixo, e Miguel Camilo, algumas guitarras.

Ao vivo, a formação é diferente e inclui Lito Pedreira, ex-Electro, na bateria, Ivan Pedreira, no baixo, Sequeira toca teclados e guitarra elétrica, e Nuno Oliveira, ex-UHF, guitarras e teclados.

Luís Sequeira tem prevista a apresentação do álbum em formato acústico, a solo. “É uma vertente acústica e despida e intimista do disco”, disse.

Para o músico, a ligação ao público é essencial: "Sem os outros não existimos. Portanto, se eu quisesse fazer as coisas só para mim, fazia e guardava na gaveta. Como lanço as músicas, quero evidentemente [...] deixar a minha melhor obra possível feita. E acredito nisso, porque estas foram as oito canções, as minhas melhores oito canções feitas e criadas desde o meu último disco”.

Depois de Carcavelos, “Quer Sequeira Quer Não” será apresentado no dia 20 de junho, no Teatro Lethes, em Faro.

 

Lusa