A chuva e o vento causaram 17 deslizamentos de terras e derrocadas no Algarve, em 24 horas, não havendo registo de situações graves, revelou hoje o Comando Regional de Emergência e Proteção Civil (CREPC).

Em comunicado, o CREPC adianta que no distrito de Faro se registou um total de 36 episódios relacionados com o mau tempo, entre as 12.00 de segunda-feira e as 12:00 de hoje, sem “impactos significativos ao nível da segurança de pessoas e bens”.

A maioria das ocorrências deveu-se a movimentos de massa (deslizamentos de terras e derrocadas), sendo o concelho de Aljezur o mais afetado, com cinco episódios, seguido do de Portimão (quatro), Monchique (três), Silves (dois) e Vila do Bispo, Faro e Lagoa, com uma ocorrência cada.

As operações envolveram 104 operacionais, apoiados por 54 meios terrestres, em trabalhos de limpeza e desobstrução de vias (nove), queda de estruturas (oito) e quedas de árvores (duas), especificou a Proteção Civil.

“As ocorrências registaram-se em vários municípios da região, e foram prontamente resolvidas no âmbito municipal, sem necessidade de reforço externo aos municípios e sem impactos significativos na segurança de pessoas e bens”, lê-se na nota.

Segundo a entidade regional do Algarve da Proteção Civil, no âmbito da “situação meteorológica adversa” encontram-se ativados os mecanismos de coordenação política, institucional e operacional, decorrentes da declaração de situação de contingência que vigora até às 23:59 de domingo.

Os municípios de Silves, Monchique, Vila Real de Santo António, Alcoutim e Castro Marim mantêm ativos os seus planos municipais de Emergência e Proteção civil, estando o concelho de São Brás de Alportel em situação de alerta.

Os municípios de Silves, Vila Real de Santo António, Alcoutim e Castro Marim mantêm-se, igualmente, em situação de Contingência.

Os planos preveem o pré-posicionamento de equipas de intervenção, o condicionamento de vias municipais suscetíveis de risco, o encerramento de estabelecimentos escolares e suspensão de transportes escolares.

Face às condições meteorológicas adversas previstas para os próximos dias caracterizadas por precipitação, vento forte e agitação marítima, o dispositivo regional “mantém-se em estado de prontidão máxima, assegurando a monitorização contínua da situação e a pronta resposta a eventuais ocorrências” em articulação com todos os agentes que integram a Proteção Civil, conclui o CREPC.

Apesar do mau tempo e da agitação marítima, as 11 barras algarvias estão abertas a toda a navegação, disse à Lusa o Comandante da Zona Marítima do Sul da Autoridade Marítima Nacional, Mário Vasco de Figueiredo.

Segundo o responsável, as barras de Albufeira, Alvor (Portimão), Baleeira (Sagres, no concelho de Vila do Bispo), Vila Real de Santo António, Faro, Lagos, Olhão, Portimão, Quarteira e Vilamoura (Loulé) e Tavira “estão abertas, mas em monitorização permanente”.

Quinze pessoas morreram em Portugal desde 28 de janeiro na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.

A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.

As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.

O Governo prolongou a situação de calamidade até dia 15 para 68 concelhos e anunciou medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.

 

Lusa