Jean Carlos Vieira Santos | Professor Universitário | svcjean@yahoo.com.br

Lisboa detém o valioso talento de seduzir-me pelo vislumbre; cativa-me pelo olhar e pelas palavras. Entre um passeio pela Livraria Bertrand do Chiado, um local de visita imperativo sempre que passo pela Rua Garrett, houve algo que não consegui deixar para trás na minha viagem a Portugal, em fevereiro de 2026: mais do que uma simples recordação, trouxe comigo versos que atravessam oceanos e conectam territórios e, na bagagem, veio a lusofonia que agora partilho convosco.

Comprei o livro “VI Colectânea de Poesia Lusófona em Paris”, dos autores Adélio Amaro e Frankelim Amaral (2025), cuja obra reúne vozes múltiplas de mais de 80 poetas, entre eles a algarvia Maria Helena Ramos, natural da freguesia de Estoi, concelho de Faro. Ainda na livraria mais antiga do mundo, ao folhear sossegadamente as páginas do exemplar, percebi que os autores conseguiram organizar uma extraordinária viagem pela poesia em língua portuguesa, com uma ponte entre continentes e nações.

O livro apresenta-nos títulos poéticos como “Camões”, “Os Verdes Anos”, “Não me Arrependo”, “O Estrangeiro”, “Neve na Amadora” e outros que convidam a uma leitura atenta e em silêncio, como se cada poema fosse a narrativa harmonizante da lusofonia, da literatura e daquele tempo de viagem a Portugal. É, pois, uma riqueza em papel e verso, um conspecto exaustivo da poesia de expressão portuguesa que convida o leitor a percorrer as geografias da nossa língua.

Visitar a Bertrand do Chiado revelou-se, como habitualmente, uma excelente oportunidade para ampliar a minha biblioteca, novamente potencializada com o carimbo: “Este livro foi comprado na livraria mais antiga do mundo”. Mais do que uma viagem pelo lugar, fica a certeza de que regressarei em futuras ocasiões para adquirir clássicos e revelações literárias que ainda não descobri e que permanecem ausentes das minhas estantes.

Sendo assim, neste percurso de viajante, deixei o hotel na Avenida Casal Ribeiro, em Saldanha, no dia 22 de fevereiro de 2026, e trouxe na mala as palavras e a alma de vários cantos do mundo lusófono, com versos que abraçam pessoas, oceanos e continentes. Agora, esse livro de poesia apresenta-me a um território poético de confluências.