Moderada por Dinis Catronas, Vogal da Delegação Regional do Sul da OPP, a iniciativa juntou a psicóloga Rita Antunes (intervenção em contexto clínico) e o psicólogo Luís Tavares (intervenção em contexto escolar) para refletirem sobre os desafios que a Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção (PHDA) coloca às famílias, às escolas e aos psicólogos.
"A PHDA continua a ser subdiagnosticada, mas também corremos o risco do sobrediagnóstico. Nem todas as crianças agitadas têm PHDA e nem todas as crianças com PHDA são agitadas", alertou Rita Antunes, lembrando que o subtipo predominantemente desatento é frequentemente identificado mais tarde. "Mais importante do que um comportamento isolado é perceber a intensidade, a frequência, a duração e o impacto que tem na vida da criança."
Foi evidenciado que, embora seja um sintoma possível de ser observado, a agitação nem sempre está presente quando falamos de PHDA, sendo que existem diferentes tipos de apresentação sintomática deste quadro - hiperatividade (agitação motora exacerbada), défice de atenção e uma apresentação mista que inclui ambos os sintomas.
Os especialistas defenderam que a resposta deve começar cedo, mas sem precipitação. "Quanto mais cedo conseguirmos identificar as dificuldades e intervir, melhor. Caso contrário, a criança acumula experiências de insucesso que acabam por marcar o seu percurso escolar e pessoal", afirmou Luís Tavares, sublinhando a importância de reunir a equipa educativa e os restantes profissionais antes de avançar para uma avaliação.
Ao longo da Tertúlia foi também destacado que a intervenção não pode centrar-se apenas na criança. "Na PHDA é muito importante a estruturação do ambiente, dos contextos", defendeu Rita Antunes. A psicóloga salientou que a estruturação das rotinas, a organização dos ambientes e a articulação entre família, escola e profissionais são determinantes para o sucesso da intervenção.
A utilização de ecrãs foi outro dos temas debatidos. Rita Antunes referiu que a evidência científica não demonstra que os ecrãs provoquem PHDA, embora possam agravar sintomas já existentes. Luís Tavares alertou ainda para a importância de olhar para o contexto familiar. "Mais do que os ecrãs, preocupa-me ver estas disrupções familiares. Parece que colocamos a culpa na criança hiperativa, quando muitas vezes o problema é o sistema."
A Tertúlia integrou a iniciativa "OPP + Próxima", através da qual a Ordem dos Psicólogos Portugueses promove momentos de proximidade com os profissionais e de reflexão sobre temas relevantes para a prática da Psicologia.
Ordem dos Psicólogos




