Os residentes em Portugal realizaram, no primeiro trimestre do ano, um total de 5,6 milhões de deslocações, valor que traduz um aumento de 7% face a igual período do ano passado, com destaque para as viagens ao estrangeiro, que registaram o maior crescimento, somando já perto de um milhão de deslocações, avança o Instituto Nacional de Estatística (INE).
De acordo com a informação publicada pelo INE, as deslocações ao estrangeiro registaram um crescimento de 30% face ao primeiro trimestre de 2025, praticamente duplicando o crescimento que tinha sido registado nos três últimos meses do ano passado, quando este indicador tinha subido 15,7%.
O INE diz mesmo que as viagens ao estrangeiro “explicam 58,5% do aumento total” registado no primeiro trimestre de 2026, enquanto as viagens em território nacional, que aumentaram 3,4%, refletiram um “abrandamento face ao trimestre anterior (+12,8% no 4ºT 2025)”.
Os dados divulgados mostram que, no primeiro trimestre, houve crescimento das viagens dos residentes em todos os meses, que foi, concretamente, de 3,7% em janeiro, 7,9% em fevereiro e 9,6% em março.
As deslocações aconteceram, essencialmente, em território nacional, num total de 4,6 milhões de viagens, que representaram 83,4% das deslocações dos residentes neste período, ficando pouco abaixo dos 85,9% do trimestre anterior.
Já as restantes 923,8 mil deslocações tiveram como destino o estrangeiro, o que representou 16,6% do total e traduziu um crescimento de 30%, quando no trimestre anterior tinham representado apenas 14,1% do total e com um crescimento de 15,7%.
O INE diz ainda que as deslocações dos residentes foram motivadas por “visitas a familiares ou amigos”, que se manteve como a principal justificação das deslocações dos residentes e representou 43,7% do total, num aumento de 2,2 p.p. face a período homólogo do ano passado, o que traduz um crescimento de 14,3% em termos homólogos (2,4 milhões de viagens).
Já as deslocações de “lazer, recreio ou férias”, que “também registaram um acréscimo”, segundo o INE, cresceram 7,9% e atingiram as 2,3 milhões de viagens, o que representou 41,1% do total e um aumento de 0,3 p.p. face ao primeiro trimestre do ano passado.
Por outro lado, as viagens por motivos “profissionais ou de negócios” decresceram 13,5%, totalizando 560,1 mil deslocações e representando 10,1% do total, o que representa uma descida de 2,4 p.p. face a período homólogo.
O INE assinala que, nas deslocações em território nacional, a principal motivação foi a “visita a familiares e amigos”, que deu origem a 48,9% das deslocações nacionais e representou 2,3 milhões de viagens, enquanto o “lazer, recreio ou férias” motivou a maioria das viagens ao estrangeiro (58,9% do total, 543,7 mil viagens).
Duração média das viagens aumenta
Os dados do INE mostram ainda que, no 1.º trimestre de 2026, 39,4% das viagens incluíram marcação prévia, num aumento de 2,5 p.p. face ao mesmo período do ano
anterior, tendo esta prática sido “mais frequente nas deslocações com destino ao estrangeiro”, onde representou 95,4% do total e cresceu 1,0 p.p., enquanto nas viagens em território nacional representou 28,3%, crescendo 0,4 p.p..
A marcação prévia das viagens, refere ainda o INE, foi essencialmente realizada através da internet, que foi utilizada na organização de 29,2% das deslocações (+2,1 p.p.), com maior expressão nas viagens ao estrangeiro, onde representou 71,8% do total, apesar de uma quebra de 4,4 p.p., enquanto nas viagens em território nacional foi utilizada em 20,7% das marcações, num crescimento de 1,4 p.p..
Quanto ao alojamento, no 1.º trimestre de 2026, a preferência foi para o “alojamento particular gratuito”, que foi utilizado em 58,6% das dormidas, num total de 9,0 milhões, num tipo de alojamento que foi especialmente relevante nas viagens para “visita a familiares ou amigos” (91,7%).
Já os “hotéis e similares” foram a segunda principal opção de alojamento, concentrando 30,3% das dormidas e representando 4,7 milhões, sendo a opção privilegiada nas
dormidas em viagens de “lazer, recreio ou férias” (45,1% do total) e por motivos “profissionais ou de negócios” (67,3%).
A subir esteve a duração média das viagens, que aumentou para 2,77 noites, quando em igual período do ano passado se ficava pelas 2,75 noites, com o INE a indicar ainda que a duração média mais longa foi registada em março e atingiu as 3,02 noites, quando em março do ano passado estava nas 2,76 noites, enquanto a mais baixa observou-se em fevereiro, num total de 2,61 noites, abaixo das 2,82 de fevereiro de 2025, o que leva o INE a destacar que este foi “o único mês do trimestre em que se registou um decréscimo da duração média”.
Os dados do INE mostram ainda que, no 1.º trimestre de 2026, 21,4% dos residentes fizeram pelo menos uma deslocação turística, o que traduz uma subida de 1,0 p.p. face ao mesmo período do ano anterior.
No entanto, o INE diz que, numa análise mensal e em termos homólogos, “a proporção de residentes que realizou pelo menos uma viagem aumentou nos três meses do trimestre”, num crescimento de 0,6 p.p. em janeiro, 0,9 p.p. em fevereiro e 1,3 p.p. em março.
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