Dra. Catarina Godinho, ginecologista do IVI Fertility Lisboa

82º Congresso da Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva (ASRM):

  • Mulheres com excesso de peso e obesidade apresentam mais abortos e menos nados-vivos quando a transferência de embriões congelados é realizada após uma preparação endometrial artificial
  • Resultados observados mesmo após transferência de embriões cromossomicamente normais, o que aponta para o endométrio e o ambiente materno como possíveis fatores determinantes do sucesso reprodutivo

Quando uma mulher se submete a um tratamento de fertilidade, um dos fatores que mais influencia as probabilidades de sucesso é a qualidade do embrião. No entanto, há cada vez mais evidência científica de que o ambiente onde esse embrião deve ser implantado também desempenha um papel fundamental no sucesso do tratamento. Um estudo liderado por investigadores do IVI Institute e apresentado no 82º Congresso da Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva (ASRM) centra-se no ambiente de implantação. A investigação, levada a cabo por investigadores de Valência, Espanha, revela que a forma como é feita a preparação endometrial tem impacto no resultado em mulheres com excesso de peso.

De acordo com os dados apresentados, as mulheres com excesso de peso ou com obesidade apresentam taxas mais elevadas de aborto e taxas mais baixas de nados-vivos quando recebem embriões congelados euploides após uma preparação endometrial artificial, em comparação com aquelas que realizam a transferência num ciclo natural. Os investigadores centraram a sua análise em embriões que não apresentam alterações cromossómicas. Foi considerada exclusivamente a transferência de embriões cromossomicamente normais para isolar o efeito do endométrio e do ambiente materno e, desta forma, compreender melhor quais os fatores que podem estar na origem dos piores resultados reprodutivos observados em doentes com excesso de peso ou obesidade.

“Se transferirmos embriões de boa qualidade e com carga cromossómica normal, a responsabilidade pelo que acontecer posteriormente recai fundamentalmente no ambiente materno e, especialmente, no endométrio”, explica o Dr. José Bellver, ginecologista do IVI Fertility Valencia e investigador principal do estudo.

Antes de uma transferência de embriões congelados, é necessário preparar o endométrio para que este se encontre no momento adequado para receber o embrião. Esta preparação pode ser realizada de duas formas. Pode ser feita através de um ciclo natural, no qual a mulher ovula e produz, de forma fisiológica, as hormonas necessárias para a implantação. Em alternativa, pode ser feita através de um ciclo substituído ou preparação endometrial artificial, em que o ovário permanece inativo e a mulher recebe estrogénios e progesterona por meio de medicação.

 

Embora, durante anos, este segundo modelo tenha sido amplamente utilizado devido à facilidade de planear os tratamentos, estudos recentes começaram a questionar se oferece os mesmos resultados em todos os perfis de mulheres.

Os resultados do estudo confirmam que as mulheres com excesso de peso e obesas que foram submetidas a uma preparação endometrial artificial registaram taxas mais baixas de gravidez evolutiva, taxas mais elevadas de aborto e menos nados-vivos do que aquelas que receberam os seus embriões num ciclo natural. Segundo os investigadores, um dos aspetos-chave poderá residir na progesterona, hormona essencial para que o endométrio atinja o grau de recetividade necessário para a implantação embrionária.

Rumo a tratamentos mais personalizados

Embora se trate de um estudo retrospetivo e sejam necessários novos ensaios para confirmar os resultados, as conclusões reforçam a importância de avançar para uma medicina reprodutiva cada vez mais personalizada. “Se estes dados forem confirmados, as mulheres com excesso de peso ou obesas que ovulam regularmente poderão beneficiar mais de uma preparação endometrial num ciclo natural ou natural modificado do que de uma preparação totalmente substituída”, afirma o investigador responsável pelo estudo.

Os especialistas recordam que a primeira recomendação para mulheres com excesso de peso ou obesas que desejam engravidar continua a ser tentar perder peso através de mudanças no estilo de vida, incluindo uma alimentação saudável, atividade física e apoio especializado, sempre que necessário.

Para a Dra. Catarina Godinho, ginecologista do IVI Fertility Lisboa, “esta investigação abre portas para encontrarmos a melhor forma de ajudar mulheres com excesso de peso a conseguir uma gravidez que evolua normalmente e um recém-nascido saudável. Se estudos futuros confirmarem estas observações, a forma de preparar o endométrio poderá tornar-se um elemento estratégico na criação de um tratamento adaptado às características de cada mulher”.

 

Sobre IVI Institute

O IVI Institute é a instituição líder mundial em medicina da reprodução. Reúne clínicas de fertilidade de referência e conhecimento especializado para impulsionar o futuro dos cuidados de fertilidade em todo o mundo. O grupo conta com mais de 100 bebés a nascer diariamente na sequência dos tratamentos realizados nas suas clínicas e com mais de 200 centros distribuídos por 15 países, incluindo as clínicas IVI Fertility, Everleap Fertility, LIVIO, Create Fertility, ART Fertility Clinics e TRIO, entre outras marcas. O IVI Institute promove a inovação, alarga o conhecimento e melhora os resultados para os pacientes em todo o mundo através de investigação pioneira, colaboração e rigorosos padrões clínicos.

 

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