O presidente do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) disse hoje que o novo modelo de triagem «terá salvaguardado» o socorro nos «períodos de maior pico», defendendo que a diferenciação entre prioridades permitiu evitar mais mortes.

Luís Mendes Cabral defendeu na Comissão de Saúde que o novo sistema de triagem, em vigor desde janeiro, permitiu distinguir verdadeiras emergências de situações menos graves, considerando que o modelo anterior classificava “mais de 80% das ocorrências” como P3, um “único grupo genérico (…) sem qualquer outra diferenciação de meios”.

“Ter-nos-á salvaguardado naqueles períodos de maior pico. Esta resposta é precisa principalmente nas situações de maior pico. Nós sabemos que, enquanto estamos pelas 4.500 chamadas diárias nos Centros de Orientação de Doentes Urgentes (CODU), conseguimos dar uma resposta muito rápida e cabal àquilo que são as solicitações”, disse o responsável, que está a ser ouvido a pedido do PS e do Chega, na sequência da morte de um homem de 78 anos no Seixal, após esperar cerca de três horas por socorro.

O Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) começou a aplicar no início do ano um novo sistema de triagem telefónica nos CODU, alinhado com o modelo usado nos hospitais e baseado em cinco níveis de prioridade: emergente, muito urgente, urgente, pouco urgente e não urgente.

Agora, cada categoria tem tempos de resposta definidos, desde atuação imediata em casos de risco de vida até 120 minutos nas situações pouco urgentes, sendo as não urgentes encaminhadas diretamente para o SNS 24.

Os utentes passam a ser informados da prioridade atribuída, do tempo estimado de chegada e do encaminhamento decidido.

No parlamento, Luís Mendes Cabral lembrou que a ausência de diferenciação comprometia a gestão dos meios.

“Tratávamos um enfarte agudo do miocárdio da mesma forma que tratávamos um entorse, ou tratávamos um AVC da mesma forma que tratávamos uma queimadura”, observou.

O responsável reforçou que os níveis P1 e P2 estão reservados para emergências médicas, com tempos de resposta entre 8 e 18 minutos, e os P3 e P4 para situações menos urgentes, com tempos até 60 e 120 minutos.

“Se tivéssemos respondido à situação do Seixal dentro dos 60 minutos, provavelmente o desfecho não teria sido o mesmo”, admitiu.

O presidente do INEM indicou ainda que a mudança não alterou as perguntas, fluxogramas ou técnicos, mas apenas a interpretação clínica dos sintomas.

Luís Mendes Cabral reconheceu ainda limitações estruturais na Península de Setúbal e no Algarve, agravadas nos períodos de maior procura.

“Para a maior parte do país, estamos a funcionar bem. O problema concentra-se na margem sul”, lamentou, acrescentando que a Liga dos Bombeiros Portugueses (LBP) informou não ter mais ambulâncias disponíveis para contratualizar na região.

O responsável afirmou que o reforço de meios e a reorganização da triagem permitiram evitar novos casos graves.

“Muito provavelmente, se não tivéssemos feito esta diferenciação, estaríamos hoje a falar de mais situações de morte”, concluiu.

 

Lusa