As tensões políticas na Câmara Municipal de Albufeira atingiram esta terça-feira, 6 de janeiro, um ponto de rutura aberta entre o presidente da autarquia, Rui Cristina (Chega), e o vereador Cristiano Cabrita (PSD), na sequência de acusações públicas relacionadas com a alegada subtração de um computador pertencente ao município.

Rui Cristina, antigo militante do PSD e atual presidente da Câmara Municipal de Albufeira pelo Chega, afirmou publicamente que o executivo municipal foi informado do desaparecimento de um computador fixo e dos respetivos dados informáticos utilizados pelo anterior vice-presidente da Câmara, classificando a situação como grave e lesiva do interesse público. Segundo o autarca, o caso remonta a 3 de novembro de 2025, data da tomada de posse dos novos órgãos autárquicos, tendo sido analisadas imagens de videovigilância das instalações municipais.

As declarações surgiram após uma reunião de Câmara marcada por forte tensão política e institucional.

Em reação às acusações, Cristiano Cabrita, vereador sem pelouros eleito pelo PSD e antigo vice-presidente da autarquia, publicou um direito de resposta nas redes sociais, sob o título “DECLARAÇÃO PÚBLICA – REPOSIÇÃO DA VERDADE, DEFESA DO BOM NOME E RESERVA DE DIREITOS”, no qual rejeita de forma categórica qualquer imputação de subtração de bens municipais.

Na declaração, o vereador considera falsas, infundadas e juridicamente inaceitáveis as acusações que lhe são dirigidas, anunciando que já apresentou uma queixa-crime por difamação e calúnia contra o presidente da Câmara Municipal de Albufeira. Cristiano Cabrita sublinha que nunca praticou qualquer ato suscetível de configurar subtração, apropriação ilegítima, abuso de confiança ou violação de deveres funcionais.

Segundo explica, a posse temporária do equipamento ocorreu exclusivamente na sequência de indicações dos serviços municipais competentes, no contexto da reorganização do seu posto de trabalho após a transição de funções, tendo todo o procedimento sido realizado em pleno horário de expediente, de forma transparente e com conhecimento de funcionários municipais.

Cristiano Cabrita garante ainda que o equipamento nunca foi ocultado, desviado ou utilizado para fins pessoais, considerando particularmente grave a utilização pública do termo “subtração” sem averiguação factual prévia, sem contraditório e sem qualquer contacto institucional enquanto vereador.

No direito de resposta, o autarca refere que aguardou diligentemente qualquer contacto formal dos serviços municipais para esclarecimento da situação, o que nunca sucedeu, acrescentando que teve conhecimento de que o presidente da Câmara terá dado instruções para que os serviços não o contactassem, inviabilizando, assim, um esclarecimento prévio antes da acusação pública.

O vereador afirma também que manteve contactos normais e regulares com os serviços de informática da autarquia sobre outras matérias, sem que em momento algum lhe tivesse sido sinalizada qualquer irregularidade relacionada com o equipamento em causa.

Apesar de considerar inexistentes os fundamentos factuais e jurídicos da acusação, Cristiano Cabrita informa que procedeu à devolução dos equipamentos por cautela institucional, passando doravante a utilizar exclusivamente meios pessoais no exercício das suas funções.

Na declaração publicada, o vereador recorda mais de duas décadas de exercício de funções públicas pautadas pela legalidade, rigor, transparência e elevação institucional, reafirmando que se reserva todos os direitos legais para defesa do seu bom nome e para eventual apuramento de responsabilidades decorrentes de acusações que classifica como falsas ou levianas. Repudia ainda qualquer tentativa de instrumentalização política do episódio.

Do lado da Câmara Municipal de Albufeira, Rui Cristina confirmou que o caso foi comunicado ao Ministério Público, tendo sido facultadas imagens de videovigilância. A autarquia admite vir a constituir-se parte lesada, invocando a necessidade de defesa do interesse público.

O caso segue agora para apreciação judicial, num contexto de forte crispação política no executivo municipal.