O Governo quer usar a privatização da TAP para recuperar a totalidade dos 3.200 milhões de euros aplicados pelo Estado na companhia desde 2020. Depois de escolher a Lufthansa para comprar 44,9% do capital, o Executivo já admite vender os restantes 50,1%, o que deixaria a transportadora aérea totalmente nas mãos do grupo alemão. A operação, contudo, depende de autorizações regulatórias e de apoio político para uma segunda fase de privatização, apontada para 2028.
Na primeira etapa, a Lufthansa compromete-se a pagar 1.025 milhões de euros por 44,9% da TAP, a que se juntam 58 milhões de euros em ajustamentos e 118 milhões relativos aos 5% das ações reservadas aos trabalhadores. No total, a primeira fase poderá render 1.201 milhões de euros. O Público explica que a alienação dos restantes 50,1% implicaria mais 863 milhões em dinheiro e 5% em ações da Lufthansa, atualmente avaliadas em 1.351 milhões. Somadas as duas etapas, a contrapartida ascenderia a 2.552 milhões de euros, podendo chegar a cerca de 3.400 milhões com a estimativa de dividendos das ações alemãs até 2040.
O calendário coloca 2028 no centro do processo, ano em que o Governo espera obter luz verde das autoridades da concorrência e concluir a eventual venda integral. A Lufthansa sinalizou que uma participação maioritária poderá trazer benefícios adicionais e, segundo o Executivo, admite mecanismos de representação portuguesa na supervisão do grupo, mesmo num cenário de integração total. O Governo diz querer garantir a preservação da marca, da sede e do hub da TAP, além de assegurar uma frota de 117 aviões em 2035 e de 130 depois dessa data, bem como o Porto como segunda base para operações de longo curso.
Para a Lufthansa, o principal atrativo é a posição da TAP nas ligações entre a Europa, o Brasil e os mercados lusófonos. A aquisição permitiria ao grupo alemão passar de uma quota de 9% para 20% na América Latina, aproximando-se da IAG e ultrapassando a Air France. O negócio prevê também integrar a manutenção e engenharia da TAP na unidade Technik, criar uma escola de aviação em Tancos e instalar em Portugal um centro tecnológico em Aveiro. Até à conclusão da primeira venda, prevista para o final do ano, a Lufthansa poderá acompanhar o cumprimento do plano estratégico, mas sem assumir posições na gestão.
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