Emprego, formação e qualificação; intervenção familiar e parental preventiva da pobreza infantil; e a capacitação da comunidade e das instituições foram as principais áreas de intervenção do Projeto Em Con_tato. Ativo desde Junho de 2013, o projeto surgiu no âmbito programa CLDS+ (Contrato Local de Desenvolvimento Social). Após dois anos de intervenção o projeto finaliza com a convicção de que esteve perto das pessoas e contribuiu para o reequilibro individual, familiar e profissional de cada pessoa apoiada, sempre com enfoque na causa do problema para encontrar em conjunto soluções sustentáveis que perdurem no tempo.
“O trabalho desenvolvido foi de proximidade, de envolvimento com os parceiros, devidamente planeado e executado. Quando falamos de projetos sabemos que eles têm um princípio e têm um fim. Gostaria de ver este momento como uma ponte para um outro projeto ou outra ação. Tínhamos o propósito de cumprir com o plano de ação e partilhar com todos os parceiros e com nossa comunidade o que foi atingido.” Foi com estas palavras que a provedora da Santa Casa da Misericórdia de Albufeira, Patrícia Seromenho, deu início a cerimónia de encerramento do Projeto Em Con_tato que decorreu no dia 1 de Junho no Espaço Em Con_tato.
A cerimónia teve como objetivo refletir sobre o trabalho realizado e apresentar as metas alcançadas, que se traduzem num “balanço muito positivo que superou todas as expetativas”:
· Trabalho com indivíduos: número proposto 1500, número executado 1903;
· Famílias: número proposto: 500, número executado: 691;
· Crianças e jovens: número proposto 375, número executado: 704;
· Empresas e Instituições: 173.
“Fizemos muito mais daquilo que nos foi proposto fazer. Tínhamos o objetivo de trabalhar junto das pessoas, com os indivíduos, com as famílias, com as pessoas desempregadas, empresas e associações. O que fizemos foi desenhar um plano com três eixos de intervenção. (…) Os números traduzem de uma forma sucinta o que se pretendia.” A Provedora explicou que se tratou de um projeto de inclusão que só foi possível concretizar graças ao empenhamento e dedicação da equipa envolvida, bem como dos parceiros sociais que testemunharam a intervenção do Em Con_tato no concelho de Albufeira.
“Na GNR de Albufeira sempre tivemos como nosso principio orientador prestar todo o apoio às entidades sejam públicas ou privadas, desde que os fins sejam legítimos e de interesse para toda a comunidade. Na minha ótica este projeto não foi mais um projeto. Através da nossa participação tivemos sempre o feed back positivo de uma equipa dos programas oficiais. A grande utilidade do projeto, que sensibilizou-me pessoalmente, foi o fato de permitir que pessoas desocupadas, pelo desemprego ou outras condicionantes dos dias de hoje, obtivessem formação e posterior ocupação.”. - Major Marco Henriques
O trabalho do projeto nas escolas, no âmbito do segundo eixo de intervenção, foi atestado pelo Professor Carlos Espadilha da Escola EB 1 Caliços. “As escolas são muitas vezes palcos de conflitos e problemas familiares. Receber um projeto com tais objetivos criou muita expetativa. Posso dizer que foi uma mais-valia ter este apoio de acompanhamento às famílias e alunos. Gostaria de pedir a quem está a ouvir e tem poder de decidir o futuro, ou a continuação deste projeto ou um novo projeto nesta área, para que nas escolas possamos recorrer ao apoio e à ajuda especializada que é muitas vezes difícil para nós professores e particularmente para os encarregados de educação, que se vêm confrontados sem saber onde recorrer (...) Estas coisas não são num dia ou dois que se resolvem. O projeto demorou dois anos e viram-se resultados. O balanço final é bastante positivo e ficamos bastante felizes com o resultado final e com o profissionalismo e disponibilidade da equipa que geriu o projeto”.
Dionísia Pedro, representante do Núcleo Distrital de Faro da EAPN Portugal, destacou a importância da dedicação demonstrada no combate à exclusão social.“Este projeto foi fantástico! Com uma equipa fantástica, que nos tivemos o prazer de acompanhar ao longo de todo o processo e há um fator que para mim é um fator chave. O envolvimento e participação ativa das pessoas. Diz-se que as pessoas em situação de exclusão social custam muito dinheiro, porque desistem dos cursos, porque não cumprem os planos de inserção. Se nós não trabalharmos com elas o custo vai ser muito mais agressivo e noutras vertentes. Todo o trabalho que foi feito, envolvendo as pessoas com as pessoas foi fundamental."
Carlos Baía, Delegado Regional do IEFP, após congratular a equipa pelos resultados iniciou a sua intervenção destacando a importância de uma intervenção precoce no combate ao desemprego. “Hoje em dia falamos muito sobre o desemprego jovem. É fundamental para nós, serviços públicos de emprego, que possamos ter esses jovens identificados para os trazer de volta para o sistema. Eu julgo que estas iniciativas, ao trabalhar os jovens e suas famílias, possam permitir-lhes que em determinados momentos da sua vida, façam as escolhas corretas e portanto por essa via tenham apoio para que não tenham que abandonar os seus estudos”.
Uma outra nota de reflexão, deixada por Carlos Baía, relacionou-se com o mercado regional e o papel das IPSS’s. “Nos últimos anos observamos um período muito complicado da vida do país e da região, que se traduziu em níveis de desemprego muito elevados. Vimos passar pelo desemprego pessoas com currículos riquíssimos e vasta experiência. O que permitiu manter a auto-estima e sua inclusão social foi o papel da SCMA e de outras instituições, autarquias, IEFP e da própria Segurança Social. Em janeiro de 2013 tivemos no Algarve quase 40 000 desempregados, e dois anos depois temos no Algarve a data de hoje 20 000 desempregados. Isto aconteceu porque a economia começou a mexer e as empresas começaram a contratar, porque todos estes serviços públicos se mobilizaram em torno desta causa e as Santas Casas foram bater à porta das empresas que não sabiam como recorrer às medidas de apoio à contratação e passaram a fazê-lo. Obviamente isto deu resultado.”
A Diretora do Centro Distrital de Segurança Social de Faro, Ofélia Ramos, também presente na cerimónia, referiu que “este projeto teve um início, mas não acaba aqui hoje. (…) É o reconheço da vida de muitas pessoas que beneficiaram destes serviços e ações aqui previstas, ações extremamente importantes que se integram nos eixos obrigatórios deste tipo de Contratos Locais de Desenvolvimento. Esta é a forma correta do ponto de vista do ISS de trabalhar a intervenção social. Temos de trabalhar em rede e de fato a SCMA tem sido fantástica nessa capacidade de angariar parceiros e conseguir envolve-los nos seus projetos. Só assim conseguimos atingir cabalmente os nossos objetivos. São objetivos que têm dignidade para serem os objetivos de todos nós, parceiros públicos e sociedade civil. Julgo que todos queremos uma sociedade, uma região mais forte e socialmente mais justa e coerente. Esse era o objetivo que nos une e será esse o objetivo que é catalisador da força que nos move para unir-nos todos no trabalho em rede”.
Agradado com os resultados, Carlos Silva e Sousa, Presidente da Câmara de Albufeira, referiu que a parceria com a SCMA “nos enche de orgulho. Esta cidade embora tenha fama de ser rica tem problemas sociais terríveis aos quais não podemos ficar indiferentes. A economia social tem um papel importantíssimo naquilo que faz, naquilo que gere e ao exceder manifestamente os resultados que se tinha proposto; gastando menos dinheiro daquilo que se estava proposto. O município tem os olhos postos na SCMA e seguramente vamos fazer mais coisas em conjunto porque a CMA tem por natureza a confiança nesta casa, não só neste projeto como nos demais”.
O Presidente da Assembleia Municipal de Albufeira, Paulo Freitas, em representação dos cidadãos de Albufeira, mencionou que “basta que se consiga criar com um projeto destes um sucesso desta dimensão para que todos os outros tenham um exemplo a seguir. Nós vivemos numa sociedade onde as pessoas devem cada vez mais ser o pólo atrativo do sucesso. Os números são importantes, mas esses números eram pessoas e foi isso que a SCMA fez, transformar objetivos de pessoas em objetivos de vida. Esse certamente daqui para a frente será o caminho que iremos seguir trilhar com o sucesso e com a vontade de todos de bem-fazer."
Apesar do término do projeto, a Santa Casa da Misericórdia de Albufeira vai assegurar o funcionamento do “Espaço Em Con_tato”, situado na Rua António Aleixo, com algumas atividades que visam a integração socioprofissional dos cidadãos. Passarão a funcionar no local o GIP, Gabinete de Integração Profissional, em parceria com o Instituto de Emprego e Formação Profissional; o GIS, Gabinete de Inserção Social; e o Serviço de Consultadoria destinado a empresas e associações. Trata-se de uma reorganização interna da Instituição que vê o Espaço Em Con_tato como um recurso, de respostas sociais integradas, indispensável à comunidade.
Por Misericórdia de Albufeira




