Quase 1 em cada 5 contribuintes tem nacionalidade de outro país, gerando 363 milhões de euros líquidos por mês, diz a Randstad.

A força de trabalho em Portugal está a ganhar um novo rosto. Atualmente, já quase 1 em cada 5 trabalhadores no país tem nacionalidade estrangeira, mais concretamente 18,6% do total dos contribuintes no nosso país. Esta é uma das principais conclusões da mais recente análise da Randstad Research, baseada em dados da Segurança Social, Instituto Nacional de Estatística (INE) e Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP). 

Em concreto, de acordo com os analistas da consultora de recursos humanos, no passado mês de junho existiam 906.019 trabalhadores estrangeiros a descontar em Portugal, o que se refletiu numa injeção líquida de 363,13 milhões de euros apenas nesse mês. Esta integração, segundo profundizam estes especialistas, resultou num aumento homólogo de 12,5% no valor das contribuições, totalizando 427,82 milhões de euros. A maioria destes contribuintes (64%) pertencem à faixa etária dos 20 aos 39 anos.

Por outro lado, os estrangeiros em Portugal representaram, no mesmo período, 11,3% do total da população beneficiária de prestações sociais, ou seja, 186.823 beneficiários, traduzindo-se numa diminuição homóloga de 9,7%, o que corresponde a -19.947 beneficiários, tal como aponta a Randstad Research em comunicado.

 

Mercado de trabalho abranda, mas mantém o fôlego

No início deste segundo semestre do ano (julho), o emprego teve um ligeiro recuo mensal (-0,1%), de 7.100 pessoas. Ainda assim, o total de profissionais mantém-se acima dos 5,3 milhões, mais concretamente em 5.347.000, e o mercado laboral cresceu 1,6%, registando mais 82.900 pessoas empregadas comparativamente ao mês de julho de 2025. Já a população ativa perdeu 9.900 trabalhadores, acompanhando a descida mensal, para 5.667.300 de pessoas ativas.

Relativamente à taxa de desemprego global, esta era de 5,7% no passado mês de julho, com o número de desempregados nos 320.300 (-2.700 pessoas). A quebra mensal na taxa de desemprego foi especialmente notória em pessoas dos 25 aos 74 anos (-3.700 pessoas) e nos homens (-2.100 pessoas). 

A análise da Randstad revela ainda que a remuneração média por trabalho dependente declarada em junho fixou-se nos 2.058,34 euros, um crescimento de 24,1% face ao mês anterior (maio) e de 5,8% face a junho do ano passado. Lisboa continua a liderar o mapa salarial, com uma remuneração média de 2.415,34€, seguindo-se Setúbal (2.193,30€). Em sentido contrário, foram os distritos de Faro (1.706,58€) e Beja (1.750,17€) que registaram as remunerações mais baixas.

“A análise deste mês evidencia uma estabilização no mercado de trabalho português”, explica, em comunicado, a Diretora de Marketing da Randstad Portugal. Isabel Roseiro sublinha que, “mais do que as ligeiras variações mensais na criação de emprego, o destaque vai para a consolidação estrutural que observamos através da integração de talento estrangeiro”. Segundo a responsável, “estes profissionais estão a contribuir ativamente para a mitigação da escassez de mão de obra em diversos setores, ao mesmo tempo que desempenham um papel cada vez mais relevante no equilíbrio financeiro e demográfico do nosso sistema de proteção social”.

 

Idealista News