O reitor do Seminário de São José, que apresentou na passada quinta-feira a intervenção ao clero da diocese – dia em que aquela instituição celebrou o seu patrono -, lembrou que a degradação já era grande, uma vez que as últimas obras no edifício foram realizadas já na década de 80 do século passado. “Existiam já cinco quartos inutilizados porque ou chovia dentro, ou os canos tinham rebentado, ou o chão tinha levantado devido às chuvas”, contou o padre António de Freitas.
O sacerdote acrescentou que “a água já não chegava quente à maioria dos quartos porque as tubagens em ferro que vinham pela fachada exterior a arrefeciam”. “No inverno chegámos a tomar banho de água fria ou tínhamos de ir às casas de banho junto da cozinha porque eram as únicas que tinham termoacumulador. No verão, com o calor e o sol a incidir nas tubagens de ferro, a água era amarela devido à oxidação dos materiais, constituindo um perigo para a saúde”, relatou.
Segundo aquele responsável “era rara a semana em que não rebentavam tubagens, pois já não estavam nas devidas condições e não comportavam a pressão da água”. “As casas de banho estavam com sérios problemas: pelos polibans estava a infiltrar-se permanentemente água nos tetos e paredes dos Serviços de Pastoral, devido à fragilidade das tubagens e à falta de impermeabilização”, referiu.
O reitor explicou ainda que a precariedade se estendia à rede elétrica. “Sempre que havia uma sobrecarga, disparava o quadro geral, cortando a eletricidade no Seminário, na Cúria e nos Serviços de Pastoral”, referiu, acrescentando que devido aos quartos não terem “fases elétricas próprias, quando havia um curto-circuito ou sobrecarga elétrica num quarto, todo o edifício ficava sem luz”, tornando difícil identificar em qual das divisões se encontrava o problema.
O padre António de Freitas evidenciou assim ter sido “urgente fazer alguma coisa, diante de toda esta problemática que afetava inquestionavelmente a vida comunitária quotidiana do Seminário” e “também afetava a vida da Cúria Diocesana, da Folha do Domingo e dos Serviços de Pastoral”, que funcionam no rés-do-chão do edifício. O formador realçou que foi preciso “agir para que se desse condições mínimas” para que o Seminário “servisse o primeiro propósito que tem – acolher jovens em discernimento vocacional” – e para que “pudesse servir a Diocese” e para acolher ações eclesiais.
Assim, o plano de obras, que mereceu a aprovação do Conselho Económico da diocese, contemplou dotar o edifício de um novo sistema sanitário e de canalização e de um novo sistema elétrico. “Procurou-se retirar, no máximo do que nos foi possível, toda a canalização do interior das paredes e do chão, fazendo passar toda a tubagem pelo espaço que fica entre o teto falso e o teto original do Seminário, evitando infiltrações e humidades e tornando mais fácil o acesso ao mesmo, no caso de algum problema, sem termos de partir paredes ou chão. Nas casas de banho tivemos de inverter, tanto quando possível, a passagem da canalização, deixando de usar as paredes do século XVIII e usando as paredes em tijolo feitas nos anos 80, pois demos conta de que os tubos de água quente tinham provocado o apodrecimento de parte dos barrotes em madeira que estruturam a gaiola pombalina de que são feitas as paredes das várias divisões dos quartos”, explicou o reitor.
“Substituímos todos os tubos e cabos, gerando novos quadros elétricos que de dois passaram para quatro, a fim de atribuir fases e disjuntores a cada divisão e a distintas partes da casa”, prosseguiu.
O padre António de Freitas disse terem sido renovados os quartos, incluindo as casas de banho. “Cada quarto recebeu um chão novo em material acrílico para ser resistente à água; um teto falso novo, pois o anterior já não tinha condições; iluminação LED, por uma questão de eficiência energética; e, cada quarto passou de duas para cinco tomadas”, descreveu.
O reitor explicou que a renovação na casa de banho visou “mais espaço de arrumação e um poliban maior”. “A maioria das portas das casas de banho estava a apodrecer devido à humidade e havia a necessidade de pintar as janelas e portadas das mesmas”.
Aquele responsável disse ainda que a opção por “usar materiais leves e de fácil remoção” teve “dois intuitos”: “evitar sobrecarregar o primeiro andar de um peso para o qual a sua conceção estrutural não está preparada” e que “alterações futuras que possam vir a ser feitas” sejam “muito mais fáceis, menos dispendiosas e mais rápidas”.
O sacerdote explicou ainda que a renovação da cozinha e os espaços adjacentes de lavandaria, dispensas e refeitórios foi o que motivou “grandes dores de cabeça”, “maior atraso” nas obras e “maior gasto financeiro”. “Para que a nova tubagem de água e gás fosse colocada, vimo-nos diante de um grande problema: por baixo do chão, colocado nos anos 40, estavam ainda as lajes de pedra do século XVIII. Tivemos de as retirar, pois era necessária mais profundidade para colocar as tubagens. E eu quis que as tirassem sem as partir, para poderem ser aplicadas noutros espaços. Mas a grande surpresa é que por baixo das lajes havia água. Foram precisas mais de duas semanas para que o piso em toda a área da cozinha pudesse secar”, justificou.
O reitor explicou que agora “a cozinha está devidamente equipada no que diz respeito ao chão, paredes, equipamentos em inox, fornecimento de gás, de água, de extração de fumos, de alarme de incêndio, etc”.
Os refeitórios passaram de três a quatro e todos eles com acesso direto. “O refeitório principal que ainda não está totalmente terminado; o refeitório da comunidade do Seminário que passou a estar no mesmo hall do refeitório principal (onde era a lavandaria); o refeitório dos funcionários; e um novo refeitório com capacidade até 15 pessoas para pessoas que aqui fiquem alojadas, para almoços de clero (não tendo de ser usado sempre o refeitório grande) ou para pequenos grupos que venham fazer alguma atividade ao Seminário”, enumerou o padre António de Freitas, acrescentando que se renovou ainda a zona dos lavatórios e que as casas de banho de apoio aos refeitórios passaram a ser duas.
“Dotou-se assim o Seminário de um sistema híbrido de fontes energéticas, no que ao aquecimento da água e outros diz respeito. Tudo está preparado para que se use gás ou eletricidade, conforme aquilo que mais compense financeiramente”, complementou, garantindo que a “eficiência energética” aliada à eficiente gestão dos recursos financeiros foi sempre uma prioridade. “Por isso, desde os banhos nos quartos, ao uso de água quente na cozinha, passando pelos fornos e até mesmo pelas máquinas de lavar e secar roupa, tanto podem ser com recurso a gás como a eletricidade”, observou.
Neste momento, a obra prossegue ainda com três trabalhos: a aplicação de um novo piso exterior circundante ao campo de futebol, o arranjo de uma das claraboias que iluminam o corredor principal que desnivelou e deixa entrar água e a recuperação da biblioteca/sala de estudo.
Ala para sacerdotes aposentados
“Dotámos o Seminário de uma ala sacerdotal, que já se tinha falado em tantos Conselhos Presbiterais”, contou ainda o reitor, explicando que “toda a ala sul teve de ser reconvertida”. “De cada três quartos fizemos uma suite: escritório/sala, com quarto e casa de banho e todas as suites com sistema de alerta em caso de queda ou alguma emergência e com as medidas e materiais próprios adequados a pessoas com mobilidade reduzida ou utilizadores de cadeiras de rodas”, descreveu.
O Seminário possui neste momento quatro suites que podem “acolher sacerdotes, no caso de aqui quererem viver ou passar algum tempo”. Além disso, aquela ala dispõe ainda de “dois espaços que podem ser convertidos numa sala de estar comum e num pequeno oratório, no caso de uma convivência comunitária de vários sacerdotes”.
Folha do Domingo













