Segundo o sindicato, nas regiões NUTS II Alentejo e Algarve (nomenclatura de unidade territorial para fins estatísticos) existem atualmente apenas duas hematologistas ao serviço, uma em Évora e “outra com atividade entre Portimão e Beja”.
A médica que exerce no Hospital de Portimão desloca-se também ao Hospital José Joaquim Fernandes, em Beja, assegurando, segundo o SMZS-FNAM, a resposta de Hematologia em todo o Algarve e no Baixo Alentejo.
O sindicato afirma que a médica trabalha em regime de prestação de serviços, sem contrato de trabalho, e está sujeita a uma “enorme e insustentável pressão” devido à sobrecarga de trabalho e à inexistência de uma equipa.
A estrutura representativa critica ainda a ausência de vagas carenciadas para Hematologia nos concursos de 2025 e 2026, apesar de alertas anteriores, considerando que estas vagas poderiam contribuir para a fixação de especialistas na região.
As vagas médicas carenciadas destinam-se a zonas geográficas com maior dificuldade de recrutamento e menor disponibilidade de profissionais, e servem para atrair médicos mediante incentivos específicos, como forma de garantir o acesso equitativo a cuidados de saúde em regiões periféricas ou com menor capacidade assistencial do Serviço Nacional de Saúde.
Em resposta à Lusa, o presidente da Unidade Local de Saúde (ULS) do Algarve rejeitou, contudo, que exista apenas uma hematologista na região, indicando que não há nenhum hematologista vinculado por contrato individual de trabalho, “mas existem quatro hematologistas em prestação de serviços”.
“Uma das quatro médicas encontra-se atualmente ausente por gravidez”, especificou Tiago Botelho.
O responsável considerou “absolutamente falsa” a afirmação de que existe apenas uma hematologista no Algarve e explicou que as vagas para concursos médicos, incluindo as carenciadas, são decididas centralmente e não pela ULS.
Em julho, o Governo abriu duas vagas de Hematologia para o Algarve, “nenhuma classificada como carenciada”, referiu Tiago Botelho.
Segundo o presidente da ULS do Algarve, duas das médicas prestadoras de serviço concorreram a essas vagas, "o que permite perspetivar a vinculação dessas médicas com contrato em breve".
A ULS Algarve pediu, entretanto, ao Ministério da Saúde que duas vagas carenciadas de outras especialidades, que prevê “não serem preenchidas”, sejam transferidas para Hematologia.
Caso o pedido seja autorizado, os dois futuros contratos poderão beneficiar deste regime, indicou Tiago Botelho.
O SMZS-FNAM anunciou que vai denunciar a situação à Ordem dos Médicos e à Direção Executiva do Serviço Nacional de Saúde e solicitar uma reunião com o Conselho de Administração da ULS Algarve.
A agência Lusa pediu também a posição da ULS do Baixo Alentejo, mas até ao momento não obteve resposta.
A Hematologia é a especialidade médica dedicada ao estudo, diagnóstico, tratamento e prevenção das doenças do sangue, da medula óssea e dos gânglios linfáticos, doenças como linfomas e leucemias.
Lusa


