O diretor do Teatro Municipal de Faro – Teatro das Figuras, Gil Silva, explicou à agência Lusa que o documentário resulta do projeto “Os Invisíveis”, destinado a promover a inclusão social de populações vulneráveis através da cultura e que, em novembro passado, apresentou uma peça criada em sessões realizadas com reclusos do Estabelecimento Prisional de Faro.
Este projeto do Teatro das Figuras vai chegar também, até 2027, à população migrante e aos idosos em situação de isolamento, mas a primeira ação, realizada no ano passado na prisão de Faro, vai agora ser exibida num filme documental com estreia marcada para terça-feira, 07 de abril, às 18:00.
Gil Silva contou que o projeto sempre teve como objetivo “trabalhar com pessoas que estivessem excluídas, de alguma maneira, da fruição e do acesso à componente artística e às artes”, e o primeiro grupo foi o dos reclusos de Faro, que criaram uma peça de teatro após participarem nas sessões realizadas com a mediadora cultura Patrícia Amaral.
“A nossa ideia desde o início foi, além de trabalhar com eles, (…) que o processo fosse documentado”, disse Gil Silva à Lusa, frisando a importância de criar um documento em vídeo que mostrasse esse trabalho para “a posteridade” e promovesse também “uma reflexão mais aprofundada” sobre a população reclusa e o “papel que a arte tem na própria reclusão” dos presos que cumprem pena na cadeia de Faro.
O documentário é realizado por Henrique Lopes e Ruben Caeiro e mostra a visão dos reclusos, mas procura também refletir a “sensibilidade” das pessoas que trabalham nas prisões, como guardas prisionais e trabalhadores da área administrativa, dando “voz a todas as partes envolvidas”, acrescentou.
“Muitas vezes esta realidade também é um bocado escamoteada e um bocado escondida e este documentário vem pôr isso de alguma forma a nu e, no fundo, dar a perceber os meandros destes espaços”, disse ainda Gil Silva.
No dia da estreia, após a projeção do documentário, está também previsto “um momento de conversa com os realizadores e com outros intervenientes no projeto”, adiantou o diretor do Teatro das Figuras.
Em novembro de 2025, após a apresentação da peça teatral criada com os reclusos de Faro, Patrícia Amaral, mediadora cultural do Teatro das Figuras, contou à Lusa que tinha levado as sessões de capacitação e expressão dramática a um grupo de reclusos que chegou a um máximo de 30 pessoas.
Patrícia Amaral fez na ocasião um balanço muito positivo do trabalho realizado no âmbito do projeto “Os Invisíveis”, tendo Gil Silva destacado então que o projeto iria prolongar-se até 2027 e abranger a população migrante e os idosos em situação de isolamento.
Apesar de ter havido sempre uma participação “muito flutuante” devido ao caráter voluntário das atividades, Patrícia Amaral chegou a ter 15 pessoas em simultâneo nas sessões, embora apenas quatro tenham integrado o “grupo sobrevivente” que apresentou, na prisão, uma peça criada com base no trabalho realizado durante as aulas e o período de isolamento nas celas.
A peça falou “sobre a vida na prisão” e os reclusos “acabaram por construir eles próprios uma pecinha de teatro muito interessante”, considerou Patrícia Amaral na mesma ocasião, sublinhando que todos viveram a experiência “muito intensamente”, mostraram ser “bons atores” e um deles pediu até informação sobre escolas de arte para poder seguir por esta área no futuro.
Passado cerca de cinco meses, o trabalho vai poder ser visto na terça-feira, na estreia do documentário no Teatro das Figuras, em Faro.
Lusa


