82º Congresso da Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva (ASRM):
- Estudo demonstra melhoria na vascularização e na funcionalidade do endométrio após a administração de plasma rico em plaquetas proveniente do cordão umbilical
- Técnica destina-se a mulheres com endométrio fino, síndrome de Asherman ou atrofia endometrial que, atualmente, dispõem de opções terapêuticas limitadas
- Os resultados preliminares apontam para uma via promissora para favorecer a implantação embrionária, a fertilidade feminina, a qualidade do endométrio e melhorar a saúde reprodutiva
Um grupo de investigadores da IVI Institute Foundation descobriu que a utilização plasma rico em plaquetas (PRP) proveniente do sangue do cordão umbilical ajuda a regenerar os tecidos do endométrio em mulheres com patologias endometriais graves. O estudo, apresentado no 82º Congresso da Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva (ASRM), abre caminho a novas alternativas para mulheres com síndrome de Asherman, endométrio fino ou atrofia endometrial.
Na medicina da reprodução, a atenção centra-se geralmente na qualidade dos embriões. No entanto, para que se verifique uma gravidez, é também essencial que o endométrio, o tecido que reveste o interior do útero, seja capaz de receber e sustentar a implantação embrionária. Quando esta capacidade se encontra comprometida devido a alterações do endométrio que dificultam que o tecido atinja as condições necessárias para permitir a implantação do embrião, conseguir uma gravidez torna-se um desafio clínico especialmente complexo.
“Estas pacientes apresentam um problema especialmente complexo, uma vez que o seu endométrio tem uma capacidade regenerativa limitada. Ao não disporem de um tecido funcional e devidamente desenvolvido, as possibilidades de implantação embrionária diminuem consideravelmente”, explica a Dra. Irene Cervelló, investigadora principal do estudo e da Fundação IVI Institute e do Instituto de Investigação Sanitária La Fe (IIS LAFE).
O tratamento consiste na administração, por meio de histeroscopia, de uma injeção subendometrial de plasma rico em plaquetas obtido a partir de sangue do cordão umbilical doado. Ao contrário do PRP convencional, que é normalmente obtido a partir do próprio sangue da paciente, esta estratégia utiliza uma fonte biológica muito mais jovem e rica em proteínas, biomoléculas e fatores de crescimento que podem favorecer a regeneração do endométrio.
Resultados promissores em mulheres com poucas alternativas
Uma das principais conclusões do estudo é que o tratamento favorece a formação de novos vasos sanguíneos no endométrio, passando de 32,23% antes do tratamento para 45,60% após a administração do PRP do cordão umbilical. Os investigadores consideram que este aumento da vascularização poderá desempenhar um papel importante na recuperação do tecido.
O estudo piloto foi realizado em 15 pacientes tratadas no IVI Fertility Valencia e no Hospital Universitari i Politècnic La Fe, em Valência. Embora os resultados reprodutivos tenham de ser confirmados em estudos mais abrangentes, as descobertas sugerem que melhorar a vascularização e a regeneração do endométrio poderá ajudar a recuperar um ambiente mais favorável à implantação embrionária.
“O nosso objetivo é oferecer uma alternativa às mulheres que, atualmente, dispõem de muito poucas opções reprodutivas quando o seu endométrio não responde aos tratamentos convencionais. Os resultados são preliminares, mas abrem um caminho muito promissor para este grupo de mulheres”, salienta a investigadora responsável pelo estudo.
A equipa já está, neste momento, a desenvolver um novo estudo multicêntrico com 35 mulheres nos centros da IVI Fertility, com o objetivo de validar os resultados obtidos e determinar se a melhoria observada no endométrio se traduz também em taxas mais elevadas de implantação e gravidez.
Para o Dr. Samuel Ribeiro, diretor do IVI Fertility Lisboa, “este estudo vem demonstrar que o endométrio merece mais atenção na medicina da reprodução. Muitas vezes, o foco centra-se no embrião, mas para que ocorra uma implantação adequada também precisamos de um endométrio preparado e funcional. O especialista destaca ainda que “estas descobertas são importantes, uma vez que nos ajudam a caminhar para o desenvolvimento de tratamentos cada vez mais personalizados e que dão resposta a mulheres que, até agora, têm poucas alternativas”.
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