O presidente da Câmara Municipal de Faro e os vereadores eleitos pela coligação PSD / CDS-PP refugiaram-se ontem numa «cortina de fumo» perante a denuncia dos autarcas do PS para a venda do espólio do Museu Municipal por razões economicistas, alegando que nunca foi sua intenção vender para o estrangeiro a escultura Nikisi Nkondo.

Estamos perante um caso flagrante de um responsável político que confrontado com o disparate da sua intenção foge a assumir responsabilidades.

Recordamos que a proposta de venda (que anexamos) é subscrita pelo Vice-presidente da autarquia, depois de uma negociação com uma galeria de arte inglesa que dura pelo menos há 10 meses, e remetida à reunião de todo o Executivo Municipal de Faro pelo próprio presidente, que coloca à apreciação do coletivo a venda deste artigo africano doado, em 1917, por um farense ao museu municipal.

Na mesma proposta, onde é equacionada a venda, por dois milhões de euros, é mesmo sugerido que “a cidade de Faro não possui relação particular com esta peça de origem africana” e chega-se mesmo a apontar o destino a dar à verba resultante da venda “o montante apresentado seria investido na integra no Museu e outros equipamentos culturais”, sublinhando-se que “o investimento no espaço do Museu é prioritário”.

Se não era intenção de vender esta peça africana porque razão o presidente da Câmara subscreveu a proposta do seu vice-presidente e a remeteu para a reunião de Câmara?

Na verdade, confrontado pelos vereadores do Partido Socialista do escândalo e da contradição que seria uma câmara que se anuncia candidata a Capital da Cultura estar em simultâneo a  admitir vender ao desbarato o seu espólio cultural para o estrangeiro, o presidente da Câmara Municipal de Faro «virou o bico ao prego», rescrevendo ainda e outra vez a sua proposta no momento da votação, deixando pendurado o seu próprio vice-presidente e viabilizando a proposta alternativa apresentada pelos vereadores do Partido Socialista para a realização de uma avaliação independente do valor artístico e cultural da escultura Nikisi Nkondo, o seu seguro e declaração como património local em Assembleia Municipal e a sua exibição no Museu para todos os farenses e visitantes interessados.

Para o Partido Socialista o espólio artístico e cultural do município deve ser valorizado e exibido e não vendido ao desbarato!

 

Por: PS Faro