Esta edição proporcionará uma viajam pela história dos episódios mais marcantes que levaram à conquista definitiva da cidade pelos cristãos, escrita com cercos, batalhas, saques, derrotas e glórias.
Entre as 18h00 e a 01h00 os visitantes terão oportunidade de viver aventuras únicas, experiências memoráveis que os farão regressar a outras épocas, aos tempos áureos em que Silves era a capital do Al-Gharb.
Dois torneios a cavalo por dia, animação exclusiva no Castelo de Silves, manjares medievais, dança e animação, levarão os visitantes numa verdadeira viagem no tempo, onde será possível ter uma visão do que a cidade terá sido outrora e da sua importância incontornável na história da região. A azáfama nas ruas do centro histórico será constante, respirando-se uma atmosfera com características particulares, num ambiente e cenário únicos, constituídos pelo traçado peculiar do tecido urbano e pela imponência dos seus monumentos.
A Câmara Municipal de Silves, organizadora do evento, mantém a aposta neste evento de referência nacional que promete ser uma das mais aliciantes propostas de animação da região.
História da Feira Medieval de Silves
A primeira Feira Medieval realizada na cidade de Silves foi organizada pela Escola Secundária de Silves, em 1996.
Nos dias 14 e 15 de agosto de 2004, a Câmara Municipal de Silves organizou uma “Feira Quinhentista”, como forma de comemorar os 500 anos do Foral Manuelino de Silves, durante a qual foram recriados alguns momentos característicos da vida quotidiana da época e a leitura do Foral.
Em 2005 fez-se a primeira Feira Medieval, já com organização da autarquia, com um número ainda relativamente pequeno de figurantes e de grupos envolvidos, mas com grande empenho de todos.
De então para cá, todos os anos, no mês de agosto, Silves enche-se dos sons, dos falares, das cores e dos aromas próprios do tempo em que a cidade era capital do Sul do país, sendo a Feira Medieval de Silves uma referência a nível nacional.
Uma estória dentro da História
A Última Conquista (1191 - 1253)
Corria o ano de 1198 e a população de Silves recuperava calmamente das destruições provocadas pelo anterior cerco e conquista da cidade pelos Almóadas, em 1191. Empreendiam-se trabalhos de reconstrução dos muros danificados, construíam-se depósitos de água e silos de aprovisionamento, quando um contingente de tropas de Cruzados assedia novamente a cidade. Tinham sido instigados pelo Bispo de Lisboa a conquistar Silves e a entregá-la ao Rei português, D. Sancho I. A investida de catapultas e setas incendiárias, de dia e de noite, foi poderosa e devastadora, tendo os Cruzados tomado a cidade e levado consigo os despojos do saque, deixando a urbe entregue aos muçulmanos.
As notícias que chegavam a Silves não eram abonatórias para a paz com os cristãos. Em 1217, D. Afonso II, com apoio da Quinta Cruzada, inflige uma pesada derrota aos muçulmanos na praça de al-Qasr – Alcácer do Sal, conquistando-a definitivamente para o domínio cristão, que confirma a sua posse à Ordem de Santiago.
D. Paio Peres Correia toma em 1239 as praças de Cacela, Tavira, Alvôr e, mais tarde, em 1248, apossa-se ardilosamente das fortificações de Estômbar e Paderne, provocando o desgoverno do Vali de Silves, Aben-Afan.
Em 1249, a notícia da capitulação daquelas importantes fortificações provoca a reação do governo da cidade de Silves, que acorre a reconquistar as praças então ocupadas pelos cristãos. A reação revela-se determinante para os destinos de Silves. Com as defesas da cidade fragilizadas, a investida de D. Paio Peres Correia é bem-sucedida. Aben-Afan apercebe-se do golpe, ao retornar à cidade e investe sobre as várias entradas, mas em vão. Na sua fuga, segundo refere a lenda, tenta atravessar com o seu cavalo um profundo pego do Rio Arade e afoga-se. A população, em sua memória, batizou o local com o nome de “Pego do Pulo” ou de Aben-Afan.
D. Paio Peres Correia entrega as terras do Algarve a Afonso X de Castela e Leão, no ano de 1253, que nomeia D. Roberto como Bispo de Silves, sob os protestos de D. Afonso III, que reclama ser o legítimo soberano daqueles territórios. Está, assim, encetada a contenda da possessão das terras do Algarve.
Silves - 10 dias de história que contam “A Última Conquista”
Dia 1 - 1191 - Final do cerco a Silves e entrega do seu governo a Ibne Uazir
A população da cidade de Silves agoniza pelo cerco imposto à cidade pelas tropas de Ibne Uazir e Iacube Almançor. D. Rodrigo Sanches testemunha o tormento das suas tropas e das gentes da urbe, que não têm mais como resistir e entrega o governo da cidade aos muçulmanos. A deposição das armas acontece nas portas da cidade com a saída das tropas cristãs em fila, ladeados pelos muçulmanos em júbilo.
Dia 2 - 1198 - Cerco e assalto a Silves pelos cavaleiros Cruzados
Uma frota de cavaleiros Cruzados, de passagem para a Terra Santa, aporta a Lisboa para abastecimento. O Bispo de Lisboa oportunamente exorta os Cruzados a saquear a cidade de Silves. Os cavaleiros, com maquinaria pesada, torres de assalto, catapultas e bestas incendiárias, realizam um assalto contínuo durante três dias à cidade. A medina é reduzida a ruínas, as portas são abertas e permitem a entrada dos Cruzados, que saqueiam e molestam a população, acabando por abandonar a urbe e prosseguir o seu caminho.
Dia 3 - 1199 - Morte de Iacube Almançor. Advento de Mohâmede Anácir
A campanha empreendida por Iacube Almançor ao Al-Andalus foi um êxito, as fronteiras muçulmanas estavam novamente no rio Tejo. No regresso a casa, Almançor não resiste à exigência da campanha e morre. A notícia rapidamente chega aos locais mais distantes. São realizadas cerimónias fúnebres e vigílias para conhecer o seu sucessor. É aclamado seu filho, Mohâmede Anácir.
Dia 4 - 1217 - Silves perde a sua defesa mais avançada, Alcácer do Sal cai em poder dos cristãos
O fraco governo de Mohâmede Anácir faz eclodir revoltas entre as tribos árabes. Os Almorávidas empreendem ataques por todo o Norte de África. Os cristãos apercebem-se das divergências internas dos muçulmanos e do enfraquecimento dos Almóadas. D. Afonso II conquista a praça de Alcácer do Sal. A notícia rapidamente chega a Silves, mas as divergências entre os guerreiros muçulmanos impedem o desencadear de uma resposta.
Dia 5 - 1224 - Os Terceiros Reinos Taifas
As tribos muçulmanas, Almorávidas e Almóadas, consomem-se em conflitos internos. O Al-Andaluz divide-se novamente em pequenos reinos independentes, as Taifas. Silves passa a integrar o governo de Niebla. D. Sancho II, informado das divisões muçulmanas, incita as suas tropas à conquista das praças de Beja e Aljustrel. Este avanço alerta o governador da cidade de Silves que pressiona o seu suserano, na tentativa de empreender uma confrontação ao avanço dos cristãos.
Dia 6 - 1238 - O acordo entre Aben-Afan e D. Paio Peres Correia
D. Fernando III de Leão e Castela exorta D. Paio Peres Correia a conquistar as praças do extremo sul do Al-Andaluz. D. Paio Peres Correia, conhecedor das práticas muçulmanas, organiza um assalto às praças de Alvôr e Estômbar que se rendem sem grande resistência. Aben-Afan propõe tréguas a D. Paio Peres Correia e estabelecem um acordo. Aben-Afan cede a praça de Cacela a D. Paio Peres Correia e este entrega Alvôr e Estômbar ao Vali de Silves.
Dia 7 - 1239 - D. Paio Peres Correia conquista as praças de Tavira e Alvôr
Cavaleiros cristãos são atacados por muçulmanos de Tavira. D. Paio Peres Correia sai em auxílio dos seus cavaleiros e submete essa praça. Após aquela conquista, D. Paio Peres Correia desloca-se com um pequeno contingente de cavaleiros e apodera-se novamente do castelo de Alvôr.
Dia 8 - 1242 - D. Fernando III de Castela e Leão, concede o título de Grão-Mestre de Cavalaria da Ordem de Santiago a D. Paio Peres Correia
D. Fernando III de Leão e Castela concede o título de Grão-Mestre de Cavalaria da Ordem de Santiago a D. Paio Peres Correia pela sua bravura e conquistas das praças do Algarve. Já intitulado Grão-Mestre de Cavalaria da Ordem de Santiago, regressa às terras do Algarve e prepara as praças recém-conquistadas e as suas tropas para uma ofensiva derradeira às fortalezas que se encontram na posse dos infiéis.
Dia 9 - 1248 - As praças de Estômbar e Paderne capitulam ao Grão-Mestre D. Paio Peres Correia
Na senda de ocupação cristã em torno da medina de Silves, o Grão-Mestre D. Paio Peres Correia, ocupa ardilosamente e sem grande resistência dos seus defensores as fortificações de Estômbar e Paderne. O governo muçulmano da cidade de Silves reage violentamente e prepara-se para ripostar à ofensa cometida pelos cristãos.
Dia 10 - 1249 - A tomada de Silves pelo Grão-Mestre D. Paio Peres Correia
Aben-Afan reúne as suas tropas em Silves e ordena a reconquista das praças de Estômbar e Paderne. O Grão-Mestre D. Paio Peres Correia ordena o ataque às portas da cidade de Silves. A medina, mal defendida, com as portas guarnecidas de poucos soldados, é tomada pelo Grão-Mestre, sem grande resistência.
Aben-Afan tenta desesperadamente entrar na cidade e encontra todas as portas muito bem providas de soldados cristãos, pratica então um ataque à porta da Azóia onde é repelido violentamente. Na sua fuga, segundo refere a lenda, tenta atravessar com o seu cavalo um profundo pego do Rio Arade e afoga-se. A população em sua memória batizou o local com o nome de “Pego do Pulo ou de Aben-Afan”.
Dia 10 - 1253 - Afonso X de Castela e Leão nomeia Frei Roberto para Bispo de Silves e do Algarve
A deposição das armas muçulmanas da cidade de Santa Maria de Faro, em 1249, a D. Afonso III, põe fim à conquista cristã do Algarve. O Grão-Mestre D. Paio Peres Correia entrega a posse das praças-fortes ao Rei Afonso X de Leão e Castela, o Sábio. O monarca castelhano ordena Frei Roberto como Bispo de Silves e do Algarve. D. Afonso III, Rei de Portugal, reclama da nomeação do Bispo e a posse dos territórios do Algarve. Está aberta, assim, a contenda sobre a suserania daqueles territórios.
Torneio Medieval continuará a ter duas edições diárias
Com duas sessões diárias, com inicio pelas 20h00, 1.ª sessão, e pelas 22h30, 2.ª sessão, numa liça construída de forma a fazer jus à época, decorre um Torneio Medieval. Os visitantes terão oportunidade de apreciar momentos únicos, em que os cavaleiros se defrontam renhidamente, sentados nos cerca de 900 lugares disponíveis no espaço.
“Xilb dos Pequenos” – o espaço infantil da Feira Medieval
A Feira Medieval também acolhe os mais novos num espaço especialmente criado e pensado para eles. Chama-se “Xilb dos Pequenos”, recordando a palavra árabe que deu origem ao nome da cidade.
Nesse espaço, as crianças entre os 6 e os 14 anos poderão permanecer por um tempo limite de 1h30, realizando diversas atividades, próprias para essa faixa etária.
Os trajos da Feira Medieval de Silves
Os trajos são uma das imagens mais significativas do rigor e qualidade da Feira Medieval de Silves. Propriedade da Câmara Municipal, foram produzidos pelo estilista António Gracias, um filho da terra.
Vários roupeiros disponibilizam, a quem o desejar, fatos de homem, mulher e criança, que são alugados por um valor simbólico (ver preços, mais à frente neste documento).
A Gastronomia: uma atração para todos os gostos
No que toca à gastronomia são dadas a todos os participantes indicações muito claras, no sentido de que os alimentos confecionados não deverão conter ingredientes desconhecidos na Idade Média, como a batata, os pimentos, entre outros (sobretudo, devido ao facto de serem provenientes do continente americano). Procura-se, igualmente, estimular o trabalho de pesquisa e recolha de receitas de origem medieval e a sua reprodução, podendo os visitantes encontrar, na feira, o “coelho na abóbora”, as carnes assadas no espeto, a doçaria mais antiga.
“Xilb”: a moeda da Feira Medieval de Silves
Durante os dias em que decorre este evento, será utilizado o “Xilb”, uma moeda válida apenas no espaço da Feira e que concorre, como os demais elementos cénicos, trajos e animação, para a criação de um ambiente muito característico e único.
Os visitantes podem trocar os seus euros por esta moeda, num posto de câmbios, embora, caso não o desejem fazer, possam continuar a usar os euros, já que ambos são moeda corrente dentro do recinto.
Haverá três tipos de moeda:
· ½ XILB = € 0,50
· 1 XILB = € 1,00
· 5 XILB = € 5,00
Eventos diários
18h00 – Abertura da Feira Medieval e Cortejo pelas Ruas e Largos da Medina
18h30 – Leitura do Edital – Portas da Cidade
19h00 – Teatralização do episódio histórico diário
20h00 – Torneio de Armas a Cavalo– 1.ª sessão – Liça da Praça Al’ Muthamid
21h30 – Zaghareet – Fogo e Movimento – Castelo de Silves
22h30 – Torneio de Armas a Cavalo – 2.ª sessão – Liça da Praça Al Muthamid
00h00 – Juizo de Alá – Largo da Colegiada
01h00 – Encerramento
Todas as noites poderá participar nas arruadas, festejos e folguedos que enchem as ruas! Os grupos participantes na XI Feira Medieval de Silves percorrem constantemente o perímetro do evento, enchendo as praças e os becos de pregões, música, dança, folia e cor!
Eventos especiais
» Espetáculo de Encerramento 17 de Agosto – 24h00
De Ibne Uazir a Frei Roberto – Largo da Sé
Grupos Participantes
Teatralizações
- Grupo Cénico Viv’arte (Portugal)
Música
- Al Caravan (Espanha)
- Al-Folk (Espanha)
- Al-Medievo (Portugal)
- Cornalusa (Portugal)
- Eduardo Ramos (Portugal)
- Mozarabes (Portugal)
- Percutunes (Portugal)
- Sons da Suévia (Portugal)
Dança
- Grupo de Danças Medievais Dá para Pular (Portugal)
- Grupo de Danças Orientais (Portugal)
- Emad Selim –dança Tanora (Egipto)
Animação
- Saltimbanco Charneca (Portugal)
- Anymamundy (Portugal)
- Saffron Fire (Portugal)
- Milícia Al-Mu-thamid (Portugal)
- Grupo Cénico Viv´Arte (Portugal)
- Archeryfun (Portugal)
Torneio de Armas a Cavalo
- Grupo Cénico Viv’Arte
Animação no Castelo de Silves
- Grupo Cénico Viv’Arte
- Associação Artística Satori (Portugal)
Preços de Bilhetes
Animação Castelo de Silves - 21h30 | € 5,00 *
Torneio de Armas a Cavalo - 20h00 | € 5,00 *
Bilhete diário - € 2,00
Pulseira - € 3,00 (Pré-venda até dia 7 de agosto)
- € 4,00 Durante XI FMS
* Inclui ingresso de entrada no perímetro
As crianças até 1,30 m de altura estarão isentas do pagamento de entrada na XI Feira Medieval de Silves
Roupeiro
Aluguer trajo adulto € 3,00
Aluguer trajo criança € 2,00
Experiência medieval
Adulto € 35,00
Criança € 17,50 Dos 6 aos 10 anos
» A pulseira estará jà está disponível, em pré-venda, e poderá ser adquirida nas Juntas de Freguesia do Concelho de Silves, nos equipamentos municipais (Piscinas Municipais, Biblioteca Municipal, Castelo de Silves, Museu Municipal de Arqueologia, Centro de Interpretação do Património Islâmico e Casa da Cultura Islâmica e Mediterrânica), e em vários estabelecimentos comerciais da cidade do concelho de Silves.
» Quem pretender adquirir o bilhete diário, deverá dirigir-se às bilheteiras, no dia do evento, na loja FNAC do Algarve Shopping ou online, através do sítio da Ticketline.
Por CM Lagos


