Vivemos um período marcado pelo agravamento do custo de vida, pela crise da habitação, pela precarização das condições de trabalho e pelo aprofundamento das desigualdades sociais. Em simultâneo, assistimos a uma escalada de conflitos armados, ao crescimento da despesa militar e ao enfraquecimento do diálogo internacional, num contexto em que as consequências da guerra se fazem sentir muito para além dos campos de batalha, agravando a pobreza, pressionando os preços dos bens essenciais e alimentando fenómenos de exclusão social.
Perante esta realidade, torna-se indispensável criar espaços de encontro, participação e reflexão coletiva que permitam pensar não apenas as dificuldades que enfrentamos diariamente, mas também as respostas políticas e sociais que importa construir. Mais do que identificar problemas, importa discutir caminhos: caminhos para uma sociedade onde a dignidade do trabalho seja valorizada, onde ninguém seja deixado para trás, onde a solidariedade prevaleça sobre a indiferença e onde a paz seja entendida como um compromisso permanente com a justiça social, os direitos humanos e a cooperação entre povos.
É com esse propósito que surge a iniciativa “Mais Vida, Menos Guerra”, procurando cruzar experiências e áreas de intervenção diversas para refletir sobre os impactos do aumento do custo de vida, o combate à pobreza, à precariedade e à exclusão social, mas também sobre a urgência de construir alternativas políticas que devolvam esperança às pessoas e reforcem a participação democrática. Acreditamos que a paz não se constrói apenas pela ausência de guerra, mas também pela existência de condições de vida dignas, pelo acesso aos direitos fundamentais, pela justiça económica e pelo fortalecimento das comunidades.
O evento terá início com uma conversa que contará com a participação de convidados provenientes de diferentes áreas de intervenção social, sindical, associativa e cívica, procurando reunir experiências complementares e promover um debate plural sobre os desafios que hoje se colocam à sociedade: Fabian Figueiredo, sociólogo e deputado da Assembleia da República pelo Bloco de Esquerda; Felícia Silva, ativista e integrante do movimento cívico Algarve pela Palestina; Guadalupe Simões, enfermeira e dirigente sindical; Raul Noetzold, estudante, ativista e membro da Coordenação Nacional de Jovens do Bloco (CNJ) e Rosa Franco, Técnica Auxiliar de Saúde e dirigente na União de Sindicatos do Algarve (USAL/CGTP-IN).
Terminada a conversa, o espaço acolherá um momento de convívio aberto à comunidade, onde a música, a gastronomia e a cultura serão o prolongamento natural do debate. Porque acreditamos que a participação também se constrói através do encontro, da celebração e da partilha, o convívio procurará criar um ambiente acolhedor, onde diferentes gerações, percursos e sensibilidades possam encontrar-se em torno de valores comuns.
O programa musical contará com as atuações de JAHCK e de rivÜrrb, dois projetos que representam a diversidade e a riqueza do panorama cultural algarvio e que contribuirão para encerrar a iniciativa num ambiente de celebração, partilha e proximidade. O programa integra também a participação da artista e performer farense Sali del Vall, que apresentará «Cad-e-ira Habitada», uma performance que propõe uma reflexão sobre a experiência humana a partir de um objeto quotidiano.
A acompanhar este momento de convívio estará o Dream Bar, projeto criado pela barista e ativista Julli Astronauta, cuja criatividade transformou um espaço no coração da cidade de Faro num verdadeiro ponto de encontro para quem acredita que a hospitalidade, a cultura e a convivência fazem parte da mesma linguagem. Será também confecionada pizza artesanal, assegurada pela equipa da Onda Quente, conhecida também como a mais emblemática pizza antifascista do Algarve.
Mais do que um evento político, “Mais Vida, Menos Guerra” surge como uma iniciativa que pretende lembrar que a paz se constrói, que os direitos se conquistam, que a cultura aproxima pessoas e que uma vida digna continua a ser uma causa pela qual vale a pena lutar.
Os portões da Antiga Fábrica da Cerveja abrem às 18h e o convívio promete durar até bem perto da meia-noite!
Bloco de Esquerda Algarve



