Municípios do interior oferecem casas para arrendar muito abaixo da mediana nacional, mostra INE. Só 37 concelhos têm rendas acima.

Arrendar casa em Portugal continua a ser desafiante num contexto de baixa oferta e altos preços. Esta é a realidade sentida, sobretudo, nos municípios mais populosos do país, situados na Grande Lisboa, mas também no Porto e no Algarve. Já o interior revela o outro lado da moeda. É ali que se situam os 10 municípios mais baratos para arrendar casa, onde uma renda ronda os 300 euros mensais, pesando bem menos no orçamento familiar.

“Nos últimos 12 meses terminados em junho de 2026, a renda mediana em Portugal foi 9,76 euros/m2, tendo aumentado 9,4% relativamente ao ano terminado em junho de 2025”, revela o Instituto Nacional de Estatística (INE) no boletim divulgado na terça-feira, dia 29 de setembro.

Neste período, só 37 municípios apresentaram rendas das casas acima do valor nacional, com Lisboa a apresentar o valor mais elevado de todos (17,43 euros/m2). A concentração das rendas mais altas no país é clara: “O padrão territorial das rendas por m2 de novos contratos de arrendamento por município destacava, com valores superiores ao do país, a totalidade dos municípios da Grande Lisboa e da Península de Setúbal, o Algarve (nove em 15 com informação disponível) e a Área Metropolitana do Porto (cinco em 17)”, detalha o INE.

São precisamente as altas rendas praticadas na zona de Lisboa, Porto e Algarve que acabam por empurrar a mediana nacional para cima, num contexto de alta procura e escassa oferta a preços acessíveis. Para incentivar os privados a colocarem as suas casas para arrendar, o Governo de Montenegro quer reformar a lei do arrendamento, a qual obteve luz verde no Parlamento na quarta-feira (dia 30 de setembro) graças a um acordo com o Chega, baixando à comissão de especialidade.

Os 10 municípios mais baratos para arrendar casa…

Viajando pelo mapa nacional é bem visível que é no interior onde se situam os 10 municípios mais baratos para arrendar casa no último ano terminado em junho de 2026. E todos eles apresentam rendas abaixo dos 315 euros mensais por 100 metros quadrados (m2).

O concelho de Mêda, no distrito da Guarda, é o que apresenta a renda mais baixa de todas (2,65 euros/m2). Quer isto dizer que uma casa de 100 m2 terá sido arrendada pelo custo mediano de 265 euros. Logo a seguir está Vila Flor, distrito de Bragança, com uma renda de 2,72 euros/m2. Em terceiro lugar ficou Almeida, distrito da Guarda (2,85 euros/m2).

Com rendas abaixo dos 300 euros por mês, juntam-se ainda outros três municípios: Mogadouro (2,92 euros/m2), Marvão (2,92 euros/m2) e Pinhel (2,94 euros/m2).

Pouco acima do patamar dos 300 euros mensais de renda da casa estão os municípios de Vila Nova de Foz Côa, Borba, Celorico da Beira e Torre de Moncorvo, indicam os dados do INE que têm por base o número de novos contratos de arrendamento fechados em cada concelho.

 

As rendas das casas mais caras de todas estão nestes 10 municípios 

No outro lado da tabela estão os municípios que apresentam as rendas das casas mais elevadas do país, com Lisboa a liderar (17,43 euros/m2). Portanto, uma casa de 100 m2 foi arrendada na capital pelo custo mediano de 1.743 euros.

O segundo concelho mais caro para arrendar casa é Cascais (16,83 euros/m2), seguido de Oeiras (15,75 euros/m2) e de Sines (15,07 euros/m2). Estes são os únicos concelhos onde arrendar uma casa de 100 m2 supera o custo mediano de 1.500 euros mensais.

Em quinto lugar está o Porto, com uma renda de 14,48 euros/m2. E logo a seguir surge o Funchal, na ilha da Madeira (14,03 euros/m2). Estes dois municípios a par de Lagos – que está em 10.º lugar – são os únicos situados fora da Grande Lisboa que compõem este top 10 dos mais caros para arrendar casa, indica o INE.

 

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