Mas este indicador não deve deixar-nos por satisfeitos. O inquérito realizado a 3556 utentes de todo o país revela que um em cada 10 portugueses não tem médico de família, verificando-se a acentuação deste cenário nas regiões do Algarve e Lisboa e Vale do Tejo. A Sul, o problema duplicou nos últimos 5 anos.
Para a efectivação da consulta, 30% dos pacientes têm de esperar pelo menos um mês desde a sua marcação, ocorrendo situação semelhante no atendimento do planeamento familiar. Apenas o serviço de enfermagem apresenta uma resposta mais célere.
O tempo da consulta continua a ser alvo de reclamação: cerca de metade dos inquiridos gostaria de ter um atendimento mais cuidado e moroso.
Os números dizem-nos ainda que 1 em cada 5 usuários não estão satisfeitos com o funcionamento dos centros de saúde, sendo os algarvios os mais descontentes.
Positivamente, destacamos o facto de a maioria dos utentes estar inscrita numa unidade de saúde a menos de 3km da sua residência e a circunstância de, em cada 10, apenas 4 não estarem satisfeitos com o médico de família.
Apesar de, globalmente, o nível de satisfação superar o dos últimos estudos, urge corrigir as queixas que persistem. A diminuição do tempo de espera para consultas, a atribuição de médico de família para todos, promovendo a igualdade no acesso aos cuidados, a aposta em tecnologias de informação e a disponibilidade de consultas especializadas e de exames médicos nos centros de saúde são, pois, os pontos de honra.
Por DECO