O crédito habitação com taxa mista ganhou terreno em Portugal como forma de proteger as famílias das oscilações imediatas da Euribor, mas essa proteção tem prazo. A Fitch alerta que estes empréstimos, que começam com uma taxa fixa e transitam depois para uma taxa variável, podem gerar um choque relevante nas prestações quando chegar o momento da revisão, sobretudo se a inflação e os juros se mantiverem elevados.
Segundo o Jornal de Negócios, a agência de notação financeira prevê que os contratos com taxa variável e mista tenham “maior volatilidade de desempenho num contexto de inflação elevada e de subida das taxas de juro”. Desde 2024, mais de dois terços dos novos créditos habitação contratados em Portugal incluem um período inicial de taxa fixa, normalmente entre três e cinco anos, antes de passarem para uma taxa variável durante o restante prazo do empréstimo.
A Fitch estima que, com uma taxa de transição entre 3% e 4%, muitos destes mutuários poderão enfrentar um aumento significativo da prestação mensal. Em março de 2026, os produtos de taxa mista representavam quase 45% da carteira de crédito habitação em vigor em Portugal, bem acima dos 15% registados em Espanha. “A Fitch projeta um choque significativo nas prestações para estes mutuários, sobretudo em Portugal”, lê-se na publicação.
A agência prevê uma subida moderada do incumprimento no crédito habitação português e espanhol no curto e médio prazo, mas considera que o risco é limitado por uma economia ainda favorável, com crescimento real e desemprego baixo. Os principais pontos de atenção são, por isso, os empréstimos sujeitos ao risco de transição para taxa variável e os mutuários mais vulneráveis ou endividados. Quanto aos preços das casas, a Fitch admite que continuam acima de níveis sustentáveis, mas não antecipa um colapso, devido à escassez de oferta e ao facto de o ciclo imobiliário não resultar, segundo a agência, de uma bolha de crédito.
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