Descarrilamento – o Jornal “O Algarve” de 1921/12/13 descreve a “horrorosa tragédia na linha férrea do Sul – mãos de sicários da pior espécie prepararam com a mais vil crueldade o descarrilamento entre as estações de Aljustrel e Figueirinha do comboio correio que no dia 1921/11/8 saiu de Vila Real ás 15h50 e deveria chegar ao Barreiro ás 7h20 do dia seguinte”. Feridos 90, mortos 13 e culpados nenhum …
Tentou-se enquadrar este episódio de 1921 no contexto político da 1ª República (1910-1926), quando se digladiavam monárquicos e republicanos de tendências várias ...
Portugal era um Império Colonial, Católico, caótico, rural e atrasado relativamente á Europa. Larga maioria da população era analfabeta (75%), principalmente a feminina (80%). O poder era masculino e exercido pelas elites universitárias e militares (também universitárias).
A Maçonaria da qual as elites faziam parte, era omnipresente nas lutas entre Republicanos das fações Democrática, Evolucionista e Unionista. A participação na Grande Guerra (1916/3/9 - 1918/11/11), imposta pela fação Democrática, foi erro estratégico que teve como consequências a ditadura de Sidónio Pais e, por último, o seu assassinato (1918/12/14) por José Júlio da Costa … libertado após a “Noite Sangrenta”.
Seguiu-se predomínio político do Partido Democrático … até á ascensão do governo de António Granjo (1920/7/19) do Partido Evolucionista. Da “Noite Sangrenta” (1921/10/19), revolta militar chefiada por Manuel Maria Coelho (Presidente do Governo Democrático que se seguiu), resultou o assassinato de Granjo e de outros proeminentes Republicanos, como Machado dos Santos e José Carlos da Maia …
O “Descarrilamento” ocorreu 3 anos após o assassinato de Sidónio e 3 semanas depois da “Noite Sangrenta” … é difícil não relacionar estes trágicos episódios … quaisquer que fossem os motivos, os autores e os mandantes, o resultado foi o descrédito da República e a ditadura que se seguiu em 1926/5/28 (fig. homenagem em Loulé a Mendes Cabeçadas, o Presidente seguinte) …


