A economia portuguesa cresceu 2,5% em termos homólogos e 0,8% em cadeia no segundo trimestre de 2026, um desempenho que representa o dobro da média da Zona Euro e supera o registado em Alemanha, França, Itália e Espanha. Segundo a analise do BFF Banking Group, divulgada em comunicado, existe uma expansão anual de 2,3% este ano, acima dos 1,8% projetados pelo Banco de Portugal (BdP) em junho, embora o relatório identifique riscos relacionados com o mercado de trabalho, com a inflação e com o investimento.
“A nossa análise mostra que a economia portuguesa continua a evidenciar uma força relevante e um desempenho orçamental sólido no contexto europeu”, afirma Riccardo Galetti, Head of Portugal no BFF Banking Group. O responsável salienta, contudo, que a instituição acompanha “com atenção os indicadores no mercado de trabalho, na evolução do investimento e na inflação”, numa fase em que a atividade económica começa a refletir limites de capacidade e riscos externos.
O grupo lançou a terceira edição do Relatório Macroeconómico para Portugal, desenvolvido em colaboração com a NOVA SBE, que traça um retrato de uma economia com crescimento acima dos pares europeus, mas exposta a constrangimentos estruturais. O mesmo estudo destaca que o desemprego recuou para 5,3% no segundo trimestre, o valor mais baixo desde o início da atual série estatística, em 2011, enquanto a população empregada atingiu 5,4 milhões de pessoas.
Apesar destes indicadores favoráveis, a escassez de trabalhadores em setores como construção, saúde e tecnologia está a pressionar os custos laborais. No segundo trimestre, os custos do trabalho aumentaram 5,4%, enquanto na construção a subida atingiu 7,1%, acima do crescimento da produtividade por trabalhador, refere em comunicado o grupo bancário.
A inflação global fixou-se em 3,3% em agosto e a inflação subjacente acelerou para 2,7%. O relatório associa parte desta evolução aos custos energéticos internacionais, influenciados pelas perturbações no Estreito de Ormuz, que têm impacto nos transportes, na restauração e no alojamento.
Investimento e habitação concentram desafios no médio prazo
O investimento é apontado como outro dos desafios para os próximos anos. A Formação Bruta de Capital Fixo caiu 1,9% em cadeia no segundo trimestre, enquanto os concursos de obras públicas lançados no primeiro semestre diminuíram 39% em termos homólogos. Com o fim do prazo de execução financeira do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) a 31 de agosto, a continuidade do investimento dependerá da calendarização do novo PTRR, com 22,6 mil milhões de euros previstos até 2034, e da execução dos fundos do Portugal 2030, acrescenta o BFF Banking Group.
No setor financeiro, o stock de crédito habitação acelerou 11% em julho, em termos homólogos. A garantia pública para jovens compradores representou 32,9% do montante concedido para habitação própria no segundo trimestre e mais de metade das operações realizadas por mutuários até aos 35 anos. Em paralelo, as previsões citadas no relatório apontam para uma redução do rácio da dívida pública para 85,7% em 2026 e 82,5% em 2027, abaixo da média da Zona Euro, sustentando a procura por dívida portuguesa e a estabilidade dos custos de financiamento do Estado.
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