O quadro sempre se apresentou como um limitador a capacidade de expressão visual, mas, diante de um processo de isolamento forçado, as permissões de investigações e libertações se tornaram necessárias. Produzindo composições experimentais e revendo processos passados, foi na pintura ilustrativa e lisa que os anseios se manifestaram em obras.
Essas experimentações e revisões geraram, inicialmente, obras em pequeno tamanho, esboços, pequenas folhas de rascunho em que materiais foram misturados e possibilidades investigadas. Investigações despretensiosas.
Em um diálogo visual com outros artistas também mergulhados em processos semelhantes e em locais completamente distintos, surge a imagem do coração. Solta e descontextualizada, a imagem em grafite fica colorida, aumenta de tamanho, se transforma, ganha novas formas e dialoga com elementos da região em que surgem. A apresentação traz doze corações interpretados em um momento de profundo isolamento social e pessoal.
Doze manifestações do mesmo objeto de estudo, doze revisões. Sem uma ideologia estética pré-determinada, o resultado é quase homogêneo, a paleta não se rompe, as obras interagem e trazem luz quando reunidas. Uma antítese do momento inicial da pesquisa.
O nome da apresentação não reflete apenas um momento social atravessado, mas tem uma relação bem mais direta com a reflexão dada a cada uma das obras expostas. Mesmo que particularmente, cada trabalho é resultado de uma experiência. Ora com a tinta e ou com a paleta, Ora com a sobreposição e composição.
A exposição acontece entre os dias 11 de agosto a 11 de novembro, na Galeria do Consulado-Geral do Brasil em Faro.
Rubem Pontes (in Art);
Nascido na cidade de Niterói (Rio de Janeiro, Brasil - 1967), começou sua formação artistica ainda criança em ateliers escolas de sua cidade, se dividindo entre o desenho acadêmico e o publicitário.
Aos dezessete já era diagramador/chargista de diversos jornais. Ingressou na Escola de Belas Artes (EBA) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) em 1987 se formando em Bacharel em Artes Cênicas (cenografia/ indumentária). Antes de sua graduação, construiu vasto currículo em montagens cênicas, em várias mídias, trabalhando ao lado de nomes como Norma Bengell (cinema), Walter Avancini (TV), Moacyr Bezerra (teatro).
Fundou um grupo de teatro amador e participou da formação de dois outros, ainda na UFRJ, levando a elaborar, produzir e montar dezenas de espetáculos. Foi um dos premiados no concurso “Jovens Talentos do Carnaval”, realizado na EBA.
A premiação abriu mais uma área de atuação, levando-o a trabalhar em grandes agremiações do Grupo Especial das Escolas de Samba da cidade do Rio de Janeiro. Sua carreira nesse segmento do carnaval carioca o levou a posição de carnavalesco. Logo após sua graduação na Escola de Belas Artes, foi convidado a ingressar no corpo docente do Departamento de Artes Utilitárias (BAU), assumindo a função de professor nos cursos de cenografia e indumentária.
No ano de 2000, torna-se Mestre em Ciência da Arte pelo programa de pós-graduação em Ciência da Arte da Instituto de Artes e Comunicação Social da Universidade Federal Fluminense (UFF). Ainda na EBA, assumiu a o cargo de Diretor Adjunto de Intercâmbio Cultural. Participou ao longo de sua trajetória de dezenas de exposições. Dividindo-se entre coletivas e individuais, apresentou obras em bricolagens, colagens, instalações e pinturas.
Em Portugal a pouco mais de dois anos, ainda mantêm uma relação estreita com o Brasil participando de várias exposições virtuais. Desde 2015 se dedica, também, as colagens digitais que o proporcionam vários convites de apresentações em redes sociais de grupos e coletivos brasileiros.