Na zona euro, a taxa de poupança bruta atingiu 14,3% no primeiro trimestre de 2026, acima da média pré-pandemia.

Em cerca de 80% dos países europeus, as famílias estão a poupar mais do que antes da pandemia COVID-19, acumulando reservas financeiras perante a possibilidade de novas crises e de um aumento da inflação, segundo uma análise do Financial Times. Estes dados evidenciam um desafio para o crescimento do continente, uma vez que os economistas alertam que o agravamento da crise energética e a subida da inflação poderão levar muitos consumidores europeus a reforçar ainda mais a poupança, numa altura em que os norte-americanos estão a aumentar os gastos.

As intenções de poupança mantêm-se acima dos níveis anteriores à pandemia, enquanto a confiança dos consumidores continua estagnada, de acordo com inquéritos da Comissão Europeia (CE). As taxas de poupança dispararam durante a pandemia, quando as economias entraram em confinamento e o consumo caiu abruptamente. Por isso, os economistas acompanham de perto a evolução destes comportamentos face ao período anterior à crise sanitária.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) prevê que o PIB dos Estados Unidos cresça 2,3 por cento este ano, impulsionado em parte pelo forte consumo das famílias. Em contraste, a previsão é de 0,9 por cento para a zona euro e de 1 por cento para o Reino Unido. A subida dos preços da energia, associada ao agravamento das hostilidades no Médio Oriente, poderá intensificar os receios de inflação entre as famílias e dificultar ainda mais a recuperação económica europeia.

Economistas consultados pelo Financial Times consideram que, se as famílias gastassem sequer uma parte destas poupanças, o consumo receberia um impulso significativo. No entanto, a nova subida dos preços da energia este ano voltou a ensombrar as perspetivas económicas.

Na zona euro, a taxa de poupança bruta, que mede a proporção do rendimento disponível não destinada à compra de bens e serviços, situou-se nos 14,3 por cento no primeiro trimestre de 2026. O valor está muito acima da média de 12,5 por cento registada nos cinco anos anteriores à pandemia.

A análise de dados do Eurostat e do Gabinete Nacional de Estatística do Reino Unido revela que, dos 18 países europeus com informação relativa ao primeiro trimestre de 2026, 14 registam uma taxa de poupança superior à observada antes da pandemia. Nos Estados Unidos, a taxa de poupança mantém-se abaixo dos níveis pré-pandemia.

Há vários fatores que explicam a relutância em gastar, incluindo as sucessivas crises que abalaram a confiança dos consumidores e o receio de que uma nova aceleração da inflação reduza o valor das poupanças em dinheiro e afete o nível de vida. A inflação na zona euro atingiu 2,9 por cento em julho, o que representa uma subida expressiva face ao ano anterior.

As taxas elevadas de poupança poderiam disponibilizar os recursos necessários para uma recuperação liderada pelo consumo, caso as famílias optassem por mobilizar parte dessas reservas. Ainda assim, há poucos indícios de uma inversão relevante desta tendência nas maiores economias da zona euro, como a Alemanha.

 

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