Na mensagem para a Quaresma deste ano, o prelado “lança um forte apelo à generosidade dos algarvios, anunciando a criação de um Fundo Solidário destinado a apoiar as famílias e comunidades gravemente afetadas pelas recentes depressões atmosféricas que assolaram o país”, lê-se num comunicado.
A tradicional Renúncia Quaresmal — o valor monetário que os fiéis abdicam durante este período — “será integralmente destinada ao Fundo Solidário Renúncia Quaresmal 2026”, de acordo com a nota.
Com o lema “Caminhemos juntos, pacientes na tribulação”, o prelado convida, na mensagem para a Quaresma, a diocese a viver este tempo de preparação para a Páscoa “não apenas com espiritualidade, mas com gestos concretos de ajuda ao próximo”.
Manuel Quintas destaca, segundo o comunicado, que a tribulação “não é uma palavra abstrata, mas uma realidade visível nas ‘feridas sociais’ e no sofrimento causado pelas catástrofes naturais”.
O fundo que foi criado será gerido pela Cáritas Diocesana do Algarve, sendo objetivo da diocese que a ajuda chega a quem se encontra em situação de “extrema necessidade”.
O Bispo de Faro recorda, na mensagem, que em coordenação com a Cáritas de Leiria, a diocese já enviou cerca de onze toneladas de bens de primeira necessidade para as zonas mais atingidas.
“Num tempo em que tantas tribulações ferem a dignidade humana, desfazem tantos sonhos e prostram tantas famílias [...], duramente atingidas pelas intempéries que se têm abatido impiedosamente sobre algumas regiões do nosso País, somos chamados a praticar as obras de misericórdia], escreve Manuel Quintas, citado no comunicado.
A mensagem pastoral para 2026 convida ainda a uma “conversão à escuta”, com o Bispo do Algarve a sublinhar que “a paciência cristã não é resignação”, mas uma “firmeza confiante” que leva a apoiar aqueles que sofrem.
Finalmente, a Diocese do Algarve convida todos “os cidadãos, crentes e pessoas de boa vontade”, a contribuírem para este fundo, através das coletas nas paróquias ou diretamente junto da Cáritas Diocesana.
A Quaresma é um período do calendário cristão, de 40 dias (sem contar os domingos), que serve de preparação para a Páscoa. Começa este ano na Quarta-feira de Cinzas (18 de fevereiro) e termina na Quinta-feira Santa (02 de abril).
Dezasseis pessoas morreram em Portugal na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.
A décima sexta vítima é um homem de 72 anos que caiu no dia 28 de janeiro quando ia reparar o telhado da casa de um familiar, no concelho de Pombal, e que morreu a 10 de fevereiro, nos Hospitais da Universidade de Coimbra (HUC).
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.
O Governo prolongou a situação de calamidade até domingo para 68 concelhos e anunciou medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.
Lusa




