O artista, nome artístico de Tércio Jorge Cristiano de Macedo Freire, subiu ao palco e levou consigo um repertório repleto de histórias musicais, onde originais e versões se cruzaram num estilo único que atravessa géneros como o folk, o jazz, o rock n’roll e a música portuguesa. Com uma presença cénica envolvente e uma cumplicidade rara com o público, Nanook convidou residentes e turistas a viajar por melodias que vão do intimista ao energético e muitos foram os que pararam para ouvir, dançar e até cantar, num ambiente descontraído e familiar.
Das ilhas ao Algarve: uma vida dedicada à música
Nascido a 25 de outubro de 1976, em Ponta Delgada, nos Açores, Nanook descobriu cedo a paixão pela música, dedicando-se ao piano e à guitarra. Em 1997, mudou-se para Faro, onde mergulhou no cenário musical algarvio, integrando e formando várias bandas universitárias e locais. Dois anos depois, começou a atuar a solo em bares e hotéis por todo o Algarve, consolidando uma carreira que já atravessa mais de duas décadas.
A sua busca por aperfeiçoamento levou-o, no ano 2000, a estudar jazz com nomes como Zé Eduardo (Zé Eduardo Unit) e Fernando Aires Ramos (Pedro Abrunhosa Quintet e Rapazes do Jazz), integrando depois projetos sob a sua orientação. Essa formação refinou o seu estilo, conferindo-lhe uma versatilidade que hoje marca os seus espetáculos.
A partir daí, a sua carreira artística entrou num outro registo, com a gravação de vários EP e LP e o reconhecimento foi chegando, palco a palco, disco a disco.
Contador de histórias, músico de alma
Com uma carreira que já percorreu palcos por todo o país, Nanook o Vagabundo continua a ser uma presença marcante no Algarve, levando a sua música a quem a quiser ouvir, sempre com a alma de um verdadeiro contador de histórias.
No Mercado de Verão de Quarteira, não houve plateia: houve cúmplices de uma viagem, onde cada canção era uma paragem, cada silêncio uma pausa para respirar a música. E quando a noite acabou, ficou a certeza de que Nanook não passa apenas: fica, ecoa, e faz questão de deixar uma marca na memória de quem o escuta.
Há músicos que tocam para serem ouvidos. E há músicos que tocam para serem sentidos. Nanook o Vagabundo é dos segundos e ontem, em Quarteira, a noite agradeceu.
Jorge Matos Dias




