“A albufeira tem quase 24 anos e o equipamento de sinalização foi colocado nessa altura e nunca mais foi mudado, por isso, é natural que se tenha degradado e deteriorado”, disse hoje à agência Lusa Filipe Ferro, proprietário do Alqueva Cruzeiros, um dos operadores marítimo-turísticos do lago alentejano.
Também Humberto Nixon, que em conjunto com a mulher possui a empresa Alquevatours, outro dos operadores marítimo-turísticos da albufeira, realçou à Lusa que o problema foi a falta de manutenção do sistema de sinalização.
“Boias de navegação já não existe quase nenhuma. Das 80 boias do Guadiana, se ainda houver 20 é muito, foram desaparecendo, por falta de manutenção. E, depois, ainda temos que somar as boias dos afluentes, como o Dgebe ou o Alcarrache, entre outros”, argumentou.
No sábado passado, à margem de uma cerimónia em Reguengos de Monsaraz, distrito de Évora, em que foi assinado o protocolo para a elaboração do Programa Especial das Albufeiras do Alqueva e Pedrógão (PEAAP), a ministra do Ambiente, Maria da Graça Carvalho, revelou aos jornalistas o avanço do projeto.
A iniciativa, indicou na ocasião, é coordenada pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA) e financiado pelo ministério que tutela, com o objetivo de “fazer uma nova e moderna sinalização” para o local.
“Está muito desatualizada e muita desapareceu porque foi roubada, portanto [vai ser instalada] uma nova sinalização para o Alqueva que inclui as boias”, afiançou.
Nessa ocasião, o presidente da APA, José Pimenta Machado, lembrou aos jornalistas que “toda a sinalética de segurança que tem a ver com a navegabilidade da albufeira no Alqueva tem 20 anos e, portanto, como qualquer equipamento, degrada-se”, tendo “alguma parte [sido] vandalizada”.
Pimenta Machado revelou que a agência está “a estudar a renovação desse equipamento” e já tem uma candidatura feita, num projeto que envolve um investimento total de 600 mil euros, o que “ainda é um grande esforço financeiro”.
“Estamos a preparar tudo. O Fundo Ambiental vai fazer 50% da comparticipação e, depois, mais 50% [será assegurado através] do PROVERE”, disse, referindo que a seguir será lançado o respetivo concurso.
A renovação da sinalética, frisou, “é importante para dar segurança” na albufeira, onde existe “um conjunto de projetos turísticos ligado à navegação”.
Ao dono da Alquevatours, sediada na Estação Náutica de Moura, no distrito de Beja, e que realiza passeios temáticos de barco, esta sinalética já não faz muita falta, porque tem os seus sistemas de navegação e a Empresa de Desenvolvimento e Infraestruturas do Alqueva (EDIA) também implementou “duas aplicações para telemóvel”. Mas o projeto é positivo.
“Se tivessem feito a manutenção de dois em dois anos ficaria mais barato e espero que agora o façam. Mas, se um particular vier de férias e trouxer a sua embarcação e não tiver as aplicações, perde-se sem as boias instaladas ou, se um barco ficar avariado ou parado em determinado sítio, a boia também pode é importante para servir de referência”, reconheceu.
O dono da Alqueva Cruzeiros, com sede no concelho de Reguengos de Monsaraz, distrito de Évora, e dedicada a passeios de barco e atividades náuticas e desportivas, confessou que o projeto seria “a maior alegria” que lhe “podiam dar nos últimos tempos, para não perder tanto tempo com as pessoas”.
“Nós conhecemos muito bem a albufeira e sabemos onde estão quase todos os perigos, mas queremos que as pessoas venham de fora e nos deixem tranquilos. Eu recomendo a uma embarcação que navegue entre as boias 14 e 45, mas se a pessoa chega lá e não vê boias nenhumas fica sem saber o que fazer. É preciso haver sinalética”, defendeu Filipe Ferro, que tem valências em quatro das seis praias fluviais de Alqueva.
Lusa




