A cadeira certa, o ecrã à altura dos olhos e o que distrai fora da vista mudam a concentração, no teletrabalho e no estudo dos miúdos.

Setembro traz de volta a rotina, e ela sente-se logo dentro de casa. Numa ponta, a criança que regressa às aulas precisa de uma mesa para os trabalhos e para o estudo. Noutra, quem está em teletrabalho recupera o portátil e o canto onde passa o dia. 

Para mais de um milhão de portugueses, a casa é o local de trabalho diário. A estes junta-se agora uma multidão de estudantes a reocupar as mesas de estudo com o arranque do ano letivo. Montar bem esse posto passa por equilibrar espaço, conforto e organização, mesmo quando a área disponível é pouca.

 

Primeiro pensa na rotina, depois escolhe o móvel

Antes de escolher o mobiliário, vale a pena pensar em como vais usar o espaço. Quem trabalha a partir de casa todos os dias não tem as mesmas necessidades de quem se senta à secretária algumas horas para estudar. 

Uma secretária ampla compensa a quem precisa de trabalhar com computador e papelada ao mesmo tempo. Já os modelos mais compactos permitem aproveitar cantos pequenos do quarto, da sala ou até de uma zona de passagem. Em espaços multifuncionais, escolher peças que combinem com o resto da decoração ajuda a que a área de trabalho pareça parte da casa. 

"Antes de mudares o método de estudo, olha para a mesa onde ele estuda", resume Joelle Santos, psicóloga educacional, em declarações ao idealista/news.

O local escolhido dá também sinais ao corpo. "Estudar na cama diz ao corpo que é hora de descansar. Estudar sempre no mesmo sítio, à mesma hora, dá um sinal claro: agora é para trabalhar", explica a psicóloga educacional. 

Há ainda o ruído, quase sempre esquecido: um tapete, cortinas mais pesadas ou uma estante cheia de livros absorvem parte do som e tornam a divisão mais silenciosa nas chamadas.

 

A cadeira é a peça que mais pesa no conforto

Quando a secretária passa a ser o local onde passas várias horas por dia, a cadeira deixa de ser um complemento e torna-se uma das peças principais. Como lembra a Conforama, uma boa combinação entre cadeira e secretária ajuda a manter a postura e a aguentar os dias longos de trabalho ou estudo, devendo adaptar-se a quem a usa.

As recomendações de ergonomia para trabalho com ecrã acrescentam alguns números úteis para acertares os ajustes:

  • Altura do assento: os pés devem ficar totalmente apoiados no chão, com as coxas mais ou menos paralelas ao solo e os joelhos a cerca de noventa graus. Numa criança, cujos pés ficam a baloiçar, um apoio de pés é quase obrigatório.
  • Encosto e apoios de braços: o encosto deve amparar a zona lombar. Com apoios de braços reguláveis, os cotovelos ficam perto do tronco e a cerca de noventa graus, os ombros relaxados e os antebraços quase paralelos ao chão.
  • Pulsos alinhados: ao escrever, as mãos não devem pender sobre a borda da mesa.
  • Altura da secretária: entre os 72 e os 75 centímetros serve a maioria dos adultos. O teste mais fiável é sentares-te e ver se os cotovelos ficam ao nível do tampo, com os ombros descontraídos. Para uma criança, que muda de estatura de ano para ano, uma secretária regulável evita comprar uma nova a cada crescimento.

 

Onde pôr o ecrã e a luz

Depois da cadeira, vem o ecrã. Alguns pontos fáceis de acertar:

  • Altura: o topo do monitor deve ficar ao nível dos olhos ou ligeiramente abaixo, para não inclinares a cabeça durante horas e sobrecarregar o pescoço.
  • Distância e inclinação: entre 50 e 70 centímetros, o equivalente à distância de um braço esticado, com o ecrã ligeiramente inclinado para trás, entre dez e vinte graus, para reduzir reflexos.
  • Posição: o monitor deve ficar centrado com o corpo, para não te obrigar a torcer o pescoço de cada vez que olhas para ele.
  • Portátil: se trabalhas num portátil, eleva-o sobre um suporte à altura dos olhos e liga-lhe um teclado e um rato à parte, para não baixares a cabeça nem levantares os ombros.
  • Luz: deve vir de lado e não de frente nem de trás, para não encandear nem criar reflexos no ecrã. Ao fim da tarde, um candeeiro de mesa orientado para a superfície de trabalho evita que forces a vista.

 

Quando tudo tem o seu lugar, trabalhar rende mais

Livros, cadernos, documentos, cabos, mochilas e manuais escolares. Uma zona de trabalho ou estudo acumula depressa tudo o que se usa ao longo do dia. Ter soluções de arrumação, defende a Conforama, liberta a secretária e mantém à mão o essencial.

Para a criança, uma mesa arrumada reduz distrações. “O cérebro de uma criança lê o espaço à volta. Se o espaço está cheio de estímulos, a atenção vai atrás deles”, nota a psicóloga Joelle Santos. “Uma mesa arrumada, só com o que é preciso para aquela tarefa, poupa energia que ele pode usar para pensar”, acrescenta.

As estantes ajudam a aproveitar as paredes, a ganhar espaço em divisões pequenas e a separar visualmente a área de trabalho do resto da sala ou do quarto.

A ideia, resume a Conforama, é criar um espaço à medida de cada pessoa: um recanto para estudar, uma zona de teletrabalho ou uma área flexível que muda de função ao longo do dia.

Seis pontos para um recanto que ajuda a concentrar

Antes de montares o teu canto de trabalho, vale a pena ter presentes seis ideias simples:

  • Escolhe o sítio pela luz e pelo sossego: uma zona com luz natural de lado, longe do vaivém da casa, ajuda mais na concentração do que uma secretária maior num sítio barulhento.
  • Começa pela cadeira: é a peça onde passas mais tempo e a que mais influencia a postura. Uma cadeira ajustável, com apoio lombar e que te deixe os pés no chão, compensa o investimento.
  • Põe o ecrã à altura dos olhos: o topo do monitor ao nível do olhar, a cerca de um braço de distância, ajuda a reduzir o desconforto no pescoço ao fim de meses.
  • Tira da vista o que distrai: estantes, caixas e gavetas mantêm a papelada e os cabos fora do campo de visão e libertam o tampo para o que interessa.
  • Faz pausas curtas e olha de vez em quando para longe: isto descansa os olhos e ajuda a manter o foco. O mesmo se aplica às crianças nos trabalhos de casa: se usam tablet ou computador, o ecrã ao nível dos olhos e pausas regulares poupam-lhes o pescoço e a atenção.
  • Se teletrabalhas por conta de outrem, leva o assunto ao acordo: o equipamento e as despesas de energia e internet podem ser suportados pela empresa, nos termos legais aplicáveis. Vale a pena que constem por escrito.

 

Idealista News