Decorar uma casa partilhada pode parecer uma dor de cabeça. Tu imaginas uma sala só com livros e sem televisão, um dos teus colegas sonha com uma cozinha em open space e outro acredita que uma cadeira coberta de roupa faz parte da decoração. Diferentes gostos, diferentes orçamentos e diferentes necessidades podem fazer parecer a equação impossível de resolver, mas não é... e vamos dizer-te como podes chegar a um bom resultado.
Viver com outras pessoas implica cedências, mas conseguir uma decoração que agrade a todos não tem de ser missão impossível. Para decorar uma casa partilhada, podes definir primeiro um orçamento, aproveitar o que já existe e apostar em soluções que mantenham alguma coerência visual, sobretudo nas áreas comuns.
Como decorar uma casa partilhada sem gastar muito?
Para decorar uma casa partilhada sem gastar muito, precisas primeiro de perceber aquilo que realmente faz falta. Antes de comprares móveis ou quinquilharia, faz um inventário do que cada pessoa pode trazer e verifica se existem peças repetidas. Quatro torradeiras não resolvem a falta de um sofá. Divide depois o orçamento em três grupos:
- O que é essencial numa casa partilhada? Os móveis e objetos fundamentais para o dia a dia, como iluminação, caixas de arrumação, cortinas, mesa, cadeiras ou outros equipamentos que estejam em falta;
- O que pode ser partilhado quando partilhas casa? Tudo o que é utilizado nas áreas comuns, desde os utensílios da cozinha aos móveis e elementos decorativos para a sala, hall de entrada ou varanda;
- O que é pessoal numa casa partilhada? Os objetos destinados exclusivamente ao teu espaço e uso pessoal, como a decoração do quarto, computador, telemóvel, roupa de cama, secretária ou pequenos eletrodomésticos.
Esta separação ajuda-te a definir prioridades e evita que o dinheiro reservado para uma secretária acabe gasto num tapete escolhido por outra pessoa. Com um orçamento reduzido, começa pela iluminação, organização e alguns têxteis, caso faça sentido. Nem sempre precisas de móveis novos para a casa parecer diferente.
Como decidir a decoração das áreas comuns numa casa partilhada?
A sala, a cozinha ou a entrada pertencem a todos e, por isso, a decoração das áreas comuns numa casa partilhada deve resultar de algum consenso.
Antes de comprares um sofá, uma mesa ou até um tapete, definam quanto estão dispostos a gastar e quais são as prioridades. Também ajuda escolher alguns elementos comuns, como uma paleta de cores ou um estilo de mobiliário.
Nas compras de maior valor, decidam também quem paga e a quem pertence cada objeto. Se quatro pessoas dividirem o preço de um sofá, por exemplo, convém saber antecipadamente o que acontece quando uma delas sair da casa.
Podes registar as despesas partilhadas numa aplicação ou folha de Excel acessível a todos e evitar que, no momento de uma mudança, a decoração se transforme numa discussão sobre quem fica com o quê.
Que cores funcionam melhor numa casa partilhada?
Numa casa partilhada, não precisas de escolher uma única cor ou estilo para agradar a todos. Uma solução simples é reservar os tons mais neutros, como branco, bege ou cinzento suave, para paredes e móveis maiores, introduzindo cores mais marcantes através de elementos fáceis de trocar, como almofadas, mantas, candeeiros ou pequenos objetos decorativos.
Procura criar pontos de ligação entre as peças. Podes repetir uma cor em diferentes zonas da divisão, escolher puxadores semelhantes ou utilizar cestos e caixas de arrumação do mesmo material. Assim, consegues integrar aquilo que cada pessoa trouxe sem teres de substituir móveis apenas porque não combinam à primeira vista.
As paredes também podem refletir quem vive na casa. Fotografias, cartazes e ilustrações permitem juntar referências de diferentes moradores sem ocuparem espaço útil.
Numa casa arrendada, privilegia molduras apoiadas, prateleiras existentes ou sistemas de fixação que não danifiquem a pintura das paredes, depois de confirmares que podem ser utilizados.
Que móveis ajudam a poupar espaço e dinheiro?
Os móveis para uma casa partilhada devem ser resistentes, fáceis de deslocar e capazes de cumprir mais do que uma função. Antes de comprares, mede a divisão, as portas e as zonas de passagem.
Um móvel barato torna-se caro quando não cabe no lugar previsto. Entre as soluções mais práticas, considera:
- Mesa de refeições ampla: pode servir para jantar, estudar, trabalhar ou receber amigos;
- Sofá modular: adapta-se ao número de moradores e à organização da sala;
- Pufes e almofadas de chão: criam lugares adicionais sem ocuparem tanto espaço como poltronas;
- Bancos com arrumação: permitem guardar mantas, jogos e acessórios;
- Mesas extensíveis ou dobráveis: aumentam apenas quando são necessárias;
- Estantes modulares: acompanham mudanças na organização da casa;
- Carrinhos com rodas: funcionam na cozinha, casa de banho ou zona de trabalho;
- Camas com gavetas: aproveitam um espaço que normalmente ficaria vazio.
Se não existir uma divisão para escritório, cria uma secretária partilhada num canto sossegado da casa. Garante que tem tomadas acessíveis, iluminação e arrumação separada para os materiais de cada pessoa.
Numa cozinha que já disponha de ilha ou península, aproveita essa superfície para preparar refeições, tomar o pequeno-almoço ou trabalhar durante períodos curtos.
Como reutilizar móveis e decorar de forma sustentável?
Verifica se um móvel antigo pode ser limpo, reparado ou pintado. Uma cómoda pode transformar-se num móvel de apoio, uma mesa pequena poderá servir como secretária e caixas resistentes podem funcionar como módulos de arrumação.
Procura peças em lojas de segunda mão, mercados locais, plataformas de reutilização (Facebook Marketplace, Vinted, etc.) ou junto de familiares.
Antes de transportares um móvel, confirma as medidas, a estabilidade, o estado das ferragens e a presença de humidade ou pragas. Em sofás, cadeiras estofadas e colchões, presta especial atenção à higiene e ao estado interior.
Que erros deves evitar numa casa partilhada?
Numa casa partilhada, há decisões que parecem pequenas até alguém comprar um sofá que não passa pela porta ou aparecer a terceira máquina de café na cozinha. Decorar e organizar a casa em conjunto exige algum planeamento, sobretudo quando o espaço e o orçamento têm de servir várias pessoas.
Para evitares discussões e compras que acabam esquecidas num canto, presta atenção a estes erros:
- Comprar primeiro e medir depois: confirma as dimensões das divisões, portas e das zonas de passagem antes de escolheres móveis;
- Não decidir a quem pertencem as coisas: se todos contribuírem para comprar um sofá ou uma televisão, combinem o que acontece quando alguém sair da casa partilhada;
- Transformar a sala numa extensão do quarto: fotografias, livros e objetos pessoais são bem-vindos, mas as áreas comuns devem continuar a pertencer a todos;
- Escolher móveis pouco resistentes: numa casa com várias pessoas, dá prioridade a materiais duradouros, fáceis de limpar e preparados para uma utilização frequente;
- Duplicar aquilo que pode ser partilhado: antes de comprares uma torradeira, aspirador ou máquina de café, confirma se alguém já tem um;
- Encher a casa de móveis: mais lugares sentados não compensam uma sala onde é preciso fazer uma corrida de obstáculos para chegar à janela;
- Fazer alterações sem autorização: pintar paredes, furar azulejos ou instalar estruturas permanentes pode exigir a autorização do proprietário;
- Querer decorar tudo no primeiro dia: vive primeiro o espaço. Só assim percebes onde falta arrumação, iluminação ou aquele móvel que parecia completamente dispensável.
Com esta lista, além de evitares compras por impulso, será mais fácil criar uma casa onde cada pessoa tem o seu canto sem deixar de sentir que as áreas comuns também são suas.
Idealista News


